terça-feira, agosto 16, 2022
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Saúde física e mental andam juntas: Cuidar do corpo é cuidar do cérebro e vice-versa

Autoconhecimento é uma das chaves para quem está no processo de emagrecimento. É importante entender qual é a relação da pessoa com a comida para atacar o foco gerador, o gatilho que a leva a comer mais do que o organismo precisa. É muito comum as pessoas aumentarem a ingestão calórica quando estão mais ansiosas, nervosas ou deprimidas.

Algumas perdem a fome, mas outras não. A comida é uma forma de dar prazer ao corpo e compensar outras questões que não vão tão bem. Até porque hoje acrescentamos sal, açúcar e gorduras aos alimentos, tornando-os muito mais saborosos e prazerosos do que seriam in natura.

De acordo com a psicóloga Jaqueline Machado, da Clínica Cid Pitombo – Cirurgias Bariátricas, muitas armadilhas emocionais podem ser o gatilho para uma alimentação não saudável e a situação só vai piorando. “Brigas constantes em casa, falta de auto estima, não se sentir amado, não se sentir bem com o próprio corpo, sofrer críticas ou humilhações pelo corpo mais gordo, não ter emprego, não ter boa saúde no dia a dia, são vários os problemas que acabam a pessoa a comer mais e piorar ainda mais a sua situação”, explica.

E concomitantemente às avaliações emocionais, os pacientes obesos passam por investigações de causas orgânicas que podem estar aumentando a obesidade. “O estresse, por exemplo, altera a síntese de cortisol, e esse hormônio também provoca aumento de fome e de substâncias prazerosas, como o doce. A resistência à insulina é outro problema. Quando o organismo dá sinais de que há pouca glicose na célula e portanto falta energia, te induz a comer mais. A privação de sono também altera os hormônios e traz mais apetite. E fora isso, tem os próprios genes que atuam na obesidade. São tantos fatores envolvidos. Por isso, emagrecer para muitas pessoas é quase impossível e elas precisam de intervenção cirúrgica”, explica o médico Dr Cid Pitombo.

Mas como até mesmo para operar, muitos obesos mórbidos precisam perder até 20% do peso, o trabalho da equipe de psicologia consiste em descobrir o que causa desconforto e leva a pessoa a fazer da comida um ansiolítico e ajudá-la a focar no que quer mudar.

“O que eu quero pra minha vida? Eu quero ser magro? Esse prazer é maior para mim? Então tem que focar nele. Eu ajudo muito as pessoas lembrando que a obesidade traz mais doenças. O esforço não é por estética. Entender as doenças ajuda a ter em mente a necessidade de estar em forma. Nossos pacientes precisam aprender a lidar melhor com a ansiedade e tratar a depressão. A ansiedade é um mal da nossa época. E cada um reage de uma maneira a ela. Pode buscar prazer em outras atividades. Dançar, fazer exercícios físicos, esportes. Meditar, praticar mindfulness, tem que encontrar prazer em outras atividades. Comer é bom, mas tem que ser consciente, saber parar na hora certa. E lembrar que dietas são temporárias e podem ser frustrantes. É preciso mudar o hábito alimentar de vez e isso muitas vezes requer ajuda de um psicólogo. Nós ajudamos a entender e perceber a relação com a comida. Perguntamos. Você tem fome de quê? A comida está tapando qual buraco na sua vida? Não é só o do estômago. A terapia consegue mudar o comportamento e gradativamente vai mudando a relação com a comida. E esta tem porção, hora, e principalmente motivo certo para ser consumida. Entender isso ajuda no processo de emagrecimento. A pessoa precisa comer devagar, colocar pouca quantidade no talher, mastigar devagar, ter horário para comer. Não é apenas o que se come, mas como se come. Temos padrões enraizados, na família, hábitos errados, a família que não tem horário para comer. Por isso, o processo de emagrecimento não é tão rápido e necessita de ajuda de equipe multidisciplinar. Mudar exige esforço e dedicação. Por isso é importante preparar a mente para a ação. Uma nova vida, precisa de novos hábitos. E ajuda é fundamental neste processo. Mas o protagonista da mudança é o paciente. Ele não vai adotar dietas, vai ter reeducação alimentar. Quem busca bariátrica, se não mudar hábitos, vai ter um novo reganho de peso. Não tem milagre. Saúde física e mental andam ajuntas”, finaliza Jaqueline.

Perfil do especialista – O médico Cid Pitombo é especialista em tratamentos de obesidade e cirurgia bariátrica por videolaparoscopia, tendo se tornado referência nacional em seu segmento de atuação, com 30 anos de experiência, sendo 22 com bariátricas. Ao longo de sua carreira, realizou cerca de 5,5 mil cirurgias. Entre elas, 3,5 mil foram pelo Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Estado do Rio de Janeiro entre 2010 e 2020, coordenado pelo médico. É proprietário da Clínica Cid Pitombo, onde realiza atendimento multidisciplinar para tratamento de obesidade, com acompanhamento psicológico e nutricional para cerca de 100 pacientes por mês, de todo o Brasil. Tornou-se ainda mais conhecido ao operar os atores André Marques e Leandro Hassum, que contribuíram fortemente para disseminar a importância da cirurgia bariátrica. Tem mestrado e doutorado em temas ligados a obesidade e é editor do livro Obesity Surgery: Principles and Practice. Mais informações podem ser obtidas pelo site da clínica.

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