quinta-feira, agosto 18, 2022
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Empresários do Interior de SP e do Triângulo Mineiro aumentarão e manterão quadro de funcionários

  • O levantamento Agenda 2022 mostra que as duas regiões estão entre as mais otimistas na expectativa da variação da taxa de crescimento das vendas para 2022 – 10,5%; 17% das empresas esperam um crescimento de vendas acima de 20%;
  • Interior de SP e Triângulo Mineiro se destacam entre as demais regiões quando a expectativa é de manutenção no quadro de funcionários (53%); a busca por profissionais mais qualificados é o motivo mais relevante para os empresários substituírem o quadro de funcionários em 2022;
  • Os respondentes das duas regiões são os que menos acreditam (4%) em um forte crescimento do PIB no ano — quase dois terços (64%) esperam queda ou estabilidade;
  • Principal preocupação dos empresários das regiões para o ambiente de negócios é a evolução do processo eleitoral, apontada por 72% dos entrevistados.

A edição deste ano da pesquisa “Agenda”, da Deloitte, maior organização de serviços profissionais do mundo, realizada com 491 empresas — 13% do Interior de São Paulo e do Triângulo Mineiro –, apresenta as prioridades e expectativas dos líderes empresariais para o ambiente de negócios no Brasil, em relação aos investimentos, às iniciativas e ao cenário econômico, social e político para 2022. As respostas são consequências da transformação digital, fundamentais para a sustentabilidade dos negócios, que se intensificou nos últimos 22 meses, devido à pandemia de Covid-19 que deixou o mundo num ambiente imprevisível de mudanças que, automaticamente, aumentou incertezas e provocou a descoberta de caminhos antes não calculados nos processos dos mais diversos setores das empresas.

A pesquisa retrata que quase dois terços (64%) dos respondentes do Interior de São Paulo e do Triângulo Mineiro esperam queda ou estabilidade do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2022, em uma variação de -0,5% a 0,5%, enquanto 32 acreditam num crescimento. Os entrevistados dessas regiões são os que menos acreditam em um forte crescimento do PIB no ano — apenas 4%.

“O ano deve ser positivo para as empresas do interior paulista e do Triângulo Mineiro, apesar das incertezas que vivemos desde o início da pandemia. Prova de que o cenário promete ser bom é a intenção de aumento e de manutenção — com e sem substituições – do quadro de funcionários, estando as duas regiões entre as que mais se destacam nesse sentido no Brasil, de acordo com a nossa pesquisa. A expectativa do aumento nas vendas e os investimentos em treinamentos de pessoas e em tecnologias poderão garantir resultados melhores às organizações das regiões”, destaca Paulo de Tarso, líder da Deloitte para o Interior de São Paulo e Triângulo Mineiro.

Manutenção do quadro de funcionários e qualificação de profissionais são focos prioritários em 2022

Em novembro de 2021, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou que a taxa de desemprego no Brasil recuou para 11,6% no trimestre encerrado no mesmo mês. Acompanhando essa expectativa, quase metade dos empresários das duas regiões (43%) declararam que pretendem aumentar o quadro de profissionais em 2022. A manutenção do quadro, sem substituições, será realizada por 23% das empresas e 30% pretendem realizar essa manutenção com substituições; apenas 4% afirmaram realizar diminuição do quadro de funcionários. Entre os que pretendem reduzir ou substituir, independentemente do cenário, as razões mais indicadas foram a substituição por profissionais mais qualificados (72%), a redução de custos (17%), a diminuição da demanda (17%) e a robotização/automação de processos (28%). O treinamento e formação dos funcionários também segue como principal investimento para 89% dos respondentes.

A “Agenda 2022” ainda revela que 82% dos empresários do Interior de SP e Triângulo Mineiro que responderam à pesquisa têm também, como investimento prioritário, o lançamento de produtos ou serviços, seguido pela ampliação de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e pela aquisição de máquinas/equipamentos (67%).

Empresas mantêm investimentos em tecnologia e P&D

Os investimentos em qualificação tecnológica são grande destaque para as empresas das regiões, sendo prioridade para 8 em cada 10 respondentes; a maioria das empresas da região (73%) vai direcionar esses treinamentos a diversas áreas da empresa. Além disso, os investimentos na área serão direcionados à gestão de dados (95%), aplicativos, sistemas e ferramentas de gestão (95%), segurança digital (95%), infraestrutura (94%), customer marketing (86%), atendimento ao consumidor (78%) e canais de vendas online (71%). Outros investimentos que chamam a atenção são os relacionados às tecnologias emergentes, que serão direcionados Robôs Móveis Autônomos (AMR) — apontados por 44% –, a digitalização fabril (38%), e realidade virtual aumentada e drones (29%).

Na área de P&D, 81% dos empresários realizarão investimentos ao longo de 2022. Dos empresários das duas regiões que afirmam investir, 64% pretendem focar em pesquisa aplicada, 51% no desenvolvimento experimental, 27% em pesquisa básica dirigida e 26% em tecnologia industrial básica. As ações de inovação realizadas colaborativamente, segundo os respondentes, serão: treinamento de equipes (66%), troca de conhecimento e experiências (62%), interação com clientes (62%), apoio para adoção de novas tecnologias (60%), desenvolvimento de novos produtos/serviços (55%), realização de pesquisas (49%), realização de eventos (38%), simplificação de processos burocráticos (36%) e captação de investimentos/recursos financeiros (17%).

Inflação abaixo de 5%, oferta de créditos às empresas, foco em educação e combate à corrupção são principais prioridades para o governo

A pesquisa identificou, de acordo com respostas dos empresários das regiões, prioridades para o governo em 2022. No que se refere ao apoio à atividade econômica, foram apontadas inflação abaixo dos 5% (69%), o estímulo à geração de empregos (67%), infraestrutura e logística (53%) e a revisão da política de juros (33%). No campo do empreendedorismo, foram indicados a oferta de crédito às empresas (59%), a ampliação do apoio às micro e pequenas empresas (49%), o incentivo à transformação digital (47%) e a ampliação de incentivos fiscais para P&D (45%).

Já as quatro prioridades do governo de impacto social deveriam ser, de acordo com os empresários do Interior de SP e Triângulo Mineiro: educação (90%) — também prioritário para as empresas avaliadas nas outras regiões –, a saúde (68%), o saneamento básico (58%) e ciência e tecnologia (44%). Quanto à melhoria da eficiência da gestão pública, espera-se o combate à corrupção (67%), reforma administrativa (65%), a manutenção do teto de gastos (47%) e o planejamento estratégico de médio e longo prazos (45%). E por fim, referente às leis e regulamentações, as prioridades aguardadas são a reforma tributária (86%) — apontada como principal em todas as demais regiões também –, as revisões das leis trabalhistas (78%), revisão da legislação ambiental (33%) e das leis sobre ataques cibernéticos (31%).

Quanto à perspectiva dos respondentes do Interior de SP e Triângulo Mineiro sobre a mais recente proposta de reforma tributária em tramitação no Congresso Nacional, a maioria concorda parcialmente (45%) — sendo os pontos em que discordam o aumento da carga tributária, tributação de dividendos, fata de clareza da diferença entre o modelo atual e o proposto e a falta de profundidade. 23% desconhecem a proposta, 16% discordam e 16% concordam totalmente.

Expectativas, preocupações, ações estratégicas e desafios em um ano de mudanças

O Interior de SP e triângulo mineiro estão entre as regiões mais otimistas na expectativa da variação da taxa de crescimento das vendas para 2022; a média da taxa de crescimento de vendas local, esperada pelos empresários, é de 10,5%. 17% das empresas apontam que esperam um crescimento de vendas acima de 20% em 2022 e 5% acreditam em uma queda.

Como ações estratégicas, apontadas pelo empresariado das regiões, estão a ampliação dos parques fabris (49%), parcerias com startups (47%), ampliação dos pontos de vendas (47%) e novas unidades de produção (26%). Os desafios, porém, para tirar os projetos de capital do papel, são muitos: em primeiro lugar, para os entrevistados, está a volatilidade do mercado, seguido pela imprevisibilidade de receitas/vendas, custo de captação para financiamento, imprevisibilidade dos resultados, definição de orçamento, falta de mão de obra qualificada, insegurança legal/jurídica, burocracia para captação de recursos, e atendimento à ESG.

Diante do que foi vivenciado nos últimos anos com as variações das últimas eleições e com os impactos da pandemia, os empresários dessas regiões apontam a evolução do processo eleitoral (72%) como a principal preocupação para o ambiente de negócios em 2022, seguida por inflação acima de 5% (66%), instabilidades políticas (55%) e a alta dos juros (48%). A desvalorização do real (45%), uma nova onda de Covid-19 (39%), a alta volatilidade na bolsa e no câmbio (38%) e or riscos fiscais (38%) também foram apontados em respostas múltiplas pelas empresas.

“Mesmo com incertezas no ambiente de negócios, as organizações continuarão investindo em transformação digital, capacitação profissional e melhoria contínua de suas operações. Somente assim elas vão se manter competitivas em um contexto de mudanças tão relevantes como o atual. A ´Agenda 2022´ revela que há uma consciência clara das empresas sobre o dever de casa a ser feito. Em cenários mais voláteis, a resposta das organizações sempre requer planejamento e pragmatismo”, destaca João Gumiero, sócio-líder de Market Development da Deloitte.

Metodologia e amostra da pesquisa

A edição de 2022 da pesquisa “Agenda” contou com a participação de 491 empresas, cujas receitas líquidas totalizaram R$ 2,9 trilhões em 2021 — o que equivale a 35% do PIB brasileiro. A distribuição geográfica da amostra ocorre da seguinte forma (considerando a sede administrativa das empresas): 72% na região Sudeste, 13% na região Sul, 9% no Nordeste e 6% no Centro-Oeste e no Norte do País. Do total dos respondentes, 64% estão em cargos de liderança C-Level. Adicionalmente, 33% das empresas participantes são de prestação de serviços, 15% de bens de consumo, 15% de infraestrutura, 12% de TI e Telecomunicações, 9% de Agro, Alimentos e Bebidas, 7% de serviços financeiros, 7% de comércio e 2% de mineração, petróleo e gás.

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