quinta-feira, agosto 18, 2022
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A arte é amiga da liberdade e Elifas Andreato sempre lutou por elas

O Brasil perdeu hoje um dos principais artistas da sua história. Elifas Andreato morreu nesta terça-feira, 29 de março, vítima de complicações de um infarto. Elifas tinha 76 anos e ao longo de toda a vida usou a arte como instrumento da luta por justiça e paz em nosso país.

Junto ao grande público, se notabilizou pelas mais de 300 ilustrações de álbuns musicais. Não à toa é um dos mais cultuados capistas da história da Música Popular Brasileira e tem no currículo a arte de alguns discos emblemáticos como “A Ópera do Malandro”, de Chico Buarque; “Nervos de Aço”, de Paulinho da Viola; e “A Rosa do Povo”, de Martinho da Vila.

Antes disso, ilustrou cartazes e páginas de jornais da imprensa alternativa que fez oposição ao regime militar como “Movimento”, “Opinião” e “Argumento”, e teve uma forte relação com o movimento sindical, fazendo inúmeros trabalhos de forma voluntária.

Nenhum outro artista foi capaz de traduzir com mais brilhantismo a indignação de toda a sociedade pelo assassinato de Vladimir Herzog, em 25 de outubro de 1975. É dele, por exemplo, a tela “25 de outubro”, registro marcante e emocionante da prisão, tortura e assassinato de Vlado. A obra, inclusive, ganhou uma reprodução em forma de mosaico na Praça Vladimir Herzog, localizada no centro de São Paulo, próximo ao prédio da Câmara Municipal.

O espaço conta ainda com outras duas obras de arte de autoria de Elifas: uma versão ampliada da escultura Vlado Vitorioso e a versão em ponto grande do troféu do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, que também foi desenhado por ele.

É dele ainda o troféu do Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão e o design do logo do Instituto Vladimir Herzog, entidade da qual participou da fundação, era conselheiro e um grande parceiro, sempre pronto a produzir artes e ilustrações para diferentes projetos e iniciativas.

Em 2011, Elifas recebeu o Prêmio Especial Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. No troféu, está grafada uma frase que resume bem a importância deste personagem para a história do nosso país: “A arte é amiga da Liberdade e os artistas sempre lutam por ela. Se a ditadura de Franco teve que encarar o Picasso, a nossa precisou encarar o Elifas”.

Elifas Andreato ajudou a ilustrar as páginas da História e nela foi inscrito. É destas pessoas que nunca morrem e seguem eternamente vivas em nossas memórias e nossos corações, nos inspirando a atuar pela construção de um país melhor, que valorize a arte, a democracia e os direitos humanos.

O Instituto Vladimir Herzog manifesta profunda tristeza e presta solidariedade a todos os familiares, em especial aos filhos Bento e Laura, e aos amigos que, assim como nós, sentirão a falta deste grande artista e cidadão brasileiro.

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