sábado, agosto 13, 2022
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Covid Longa é desafio para médicos e especialistas

Síndrome provoca fadiga intensa e atrapalha o restabelecimento da rotina, mesmo em pacientes que não desenvolveram quadro grave da doença

A pandemia do novo coronavírus completou dois anos em março e mesmo com a queda de internações e óbitos, os especialistas ainda enfrentam um grande desafio: a recuperação de pacientes com a chamada Covid Longa. A síndrome, que costuma afetar até 30% dos infectados e se manifesta algumas semanas após o contágio, provoca, entre outros sintomas, fadiga, falta de ar, arritmia, ansiedade, dor crônica, insuficiência renal, problemas de memória e concentração e até impotência.

“As pessoas sentem muita fadiga. Algumas têm comprometimento nos rins, no fígado, no coração e, principalmente, consequências de uma infecção respiratória grave, com uma falta de ar que demora para passar, uma perda da capacidade física e respiratória”, conta o cardiologista Hélio Osmo, gerente executivo da área médica da Farmacêutica Zambon e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Farmacêutica. “Isso gera um impacto econômico, social e psicológico na convivência com outras pessoas, porque ela não entende o que está acontecendo e quer retomar a vida dela”, acrescenta.

O cardiologista diz que mesmo quem não apresentou uma forma grave da doença, com internação ou intubação, tem sofrido com os sintomas da Covid Longa. Tanto que hospitais como o Hospital das Clínicas e o Sírio Libanês, em São Paulo, e a Rede Sarah, em Brasília, entre outros, criaram ambulatórios para auxiliar na reabilitação dos pacientes. “Por causa dos diferentes sintomas, as pessoas têm percorrido um caminho tortuoso, visitando diversos especialistas, como pneumologista, clínico geral, neurologista, psiquiatra e geriatra, em busca de um diagnóstico e uma melhora mais rápida”.

Estudo coordenado pelo Laboratório de Neuroproteômica da Unicamp, em parceria com a USP, reunindo 80 pesquisadores, aponta que a Covid é capaz de provocar danos cerebrais com efeitos na memória, no olfato e na concentração. Foram analisadas 81 ressonâncias de pacientes que tiveram sintomas leves da doença, dois meses antes do exame, e ainda apresentavam fadiga, sonolência, dor de cabeça, ansiedade e disfunção cognitiva. O resultado mostrou que o grupo tinha algo em comum: uma atrofia na região frontal do cérebro, responsável pelo raciocínio e atenção.

“Muitas pessoas têm permanecido com sintomas neurológicos por mais tempo do que a própria Covid está no organismo. Por isso, compreender como é a dinâmica do vírus no cérebro pode ajudar a prevenir sequelas e ajudar no tratamento de quem tenham sintomas advindos da infecção”, explica Daniel Martins de Souza, coordenador do Laboratório de Neuroproteômica da Unicamp. Os pesquisadores também analisaram o tecido cerebral de pessoas que morreram de Covid e descobriram que os astrócitos, células estreladas que dão sustentação aos neurônios, são o alvo preferido do vírus no cérebro. “Ao entrarem em contato com os neurônios, os astrócitos contaminados pelo Sars-Cov-2 produzem um ambiente tóxico que eleva a morte dos neurônios em até 60% mais do que quando o próprio neurônio é infectado”, ressalta Daniel.

Covid em Crianças

A explosão de internações de crianças por Covid, no início do ano, durante a onda da variante ômicron, é outro fator que preocupa os médicos, principalmente pela baixa adesão desse grupo à vacinação. Enquanto quase 75,4% da população brasileira estão totalmente imunizados contra a Covid, apenas 11,2% das crianças entre cinco e 11 anos receberam as duas doses da vacina, segundo dados do consórcio de veículos de imprensa. “A ômicron expôs mais as crianças porque houve um relaxamento dos cuidados, elas voltaram para a escola, e há uma grande resistência à vacinação, que se deve às fake news sobre complicações que não têm nenhum embasamento científico”, esclarece o cardiologista Hélio Osmo.

Embora a grande maioria das crianças contaminadas se recupere rápido, casos de Síndrome Inflamatória Multissistêmica pediátrica (SIM-P) vem sendo registrados desde o início da pandemia. A reação imunológica afeta todo o organismo, provocando edema, tromboembolismo, alterações hepáticas, cardíacas e neurológicas. Até janeiro, mais de 1.160 hospitalizações foram registradas no país, no público entre 0 e 9 anos, com 63 mortes.

Combate ao estresse oxidativo

Diversos estudos têm sido publicados relatando os possíveis efeitos benéficos do uso da N-Acetilcisteína no tratamento das complicações da Covid-19 com redução, inclusive, do risco de necessidade de cuidados intensivos. A infecção pelo coronavírus provoca, em alguns pacientes, um desequilíbrio no balanço entre os radicais livres e os antioxidantes naturais das células. Isso ocorre por causa da tempestade de citocinas que ocorrem como resposta a uma hiperativação das defesas do corpo.

“O estresse oxidativo excessivo pode ser responsável pelos danos pulmonares e trombose. A GSH (glutationa), bem como os seus precursores, como a N-Acetilcisteína (NAC) podem representar uma nova abordagem terapêutica para bloquear a NF-kB (resposta inflamatória) e combater a tempestade de citocinas e o desconforto respiratório observado em doentes com COVID-19”, aponta estudo assinado pelo professor de Medicina Respiratória Mario Cazzola, da Universidade de Roma Tor Vergata.

O cardiologista Hélio Osmo diz que o estresse oxidativo afeta todos os órgãos e não só o aparelho respiratório. “A classe médica tem percebido os benefícios da N-Acetilcisteína no combate ao estresse oxidativo. Estamos observando um aumento no consumo do medicamento após a chegada da nova variante ômicron”, revela, referindo-se à demanda dos produtos da farmacêutica italiana Zambon.

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