terça-feira, agosto 16, 2022
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Má alimentação, estresse e sedentarismo podem elevar a pressão

Nesse 17/05, Dia Mundial de Combate à Hipertensão, o médico Dr Cid Pitombo explica as causas da doença e como se prevenir: atividades físicas, boa alimentação, consumo moderado de álcool, atividades de lazer, entre outras, podem ajudar

Sua vida tem sido estressante? Sua alimentação desregrada? Não faz ou faz pouca atividade física? Aumentou seu consumo de tabaco e álcool? E de comidas prontas, industrializadas? Você se sente ansioso? Pois bem, saiba que você pode estar hipertenso e não sabe. A pressão arterial até 12×8, ou 13×9 em idosos, é a considerada normal, mas muitas vezes o indivíduo passa deste patamar sem sentir nada de diferente.

E a hipertensão pode provocar diversas doenças, como arritmias cardíacas, acidente vascular cerebral isquêmico e hemorrágico, demência, aneurisma da aorta torácica e abdominal, insuficiência cardíaca, angina do peito, infarto agudo do miocárdio, perda progressiva da visão e insuficiência renal. Um estudo divulgado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia relatou aumento de casos de hipertensão e também de problemas cardiovasculares que chegaram a aumentar o número de óbitos em 2020 em 132%.

A boa notícia é que ao se controlar a hipertensão com medicamentos, as chances de se desenvolverem essas doenças são muito reduzidas.

“Cerca de 25% dos brasileiros já tinham hipertensão antes da pandemia. Em linhas gerais, o que sempre alertamos aos pacientes e estamos reforçando é que muitas doenças podem ser evitadas se diminuirmos o fumo e álcool excessivo, alimentos industrializados e ultraprocessados, que são carregados de sódio, se abandonarmos de vez o sedentarismo e ao menos, fazermos uma caminhada, pular corda, andar de bicicleta, ou exercícios funcionais em casa mesmo; e dormirmos ao menos sete horas por dia. Fazendo essa rotina, já vai ajudar a aliviar o estresse, grande provocador de hipertensão. Aí pode complementar com atividades prazerosas, como ouvir música, dançar, ler um bom livro, brincar com crianças ou animais e tantos outros hobbies ou atividades que trazem mais calma, conforto e alegria”, reforça o médico Cid Pitombo, especialista em tratamentos para obesidade e cirurgia bariátrica por videolaparoscopia.

Entre os sintomas mais comuns que podem aparecer quando a pressão está acima do normal estão dor de cabeça, dor na nuca, tontura, enjoo, dor no peito (angina), falta de ar e visão turva ou embaçada, mas normalmente a doença se instala sem dar sinais. “E é muito comum famílias terem o mesmo problema, tanto de diabetes quanto de hipertensão, porque normalmente os hábitos ruins são adotados por todos, sobretudo a alimentação rica em sal, açúcar, farinhas e gorduras. E depois da Covid trazendo tantas complicações associadas a essas comorbidades, o que se espera é a sociedade melhorar todos esses hábitos”, alerta o médico.

Emagrecimento x pressão alta

Um recente estudo brasileiro apontou que a cirurgia bariátrica pode ser mais eficaz do que o uso de medicamentos isoladamente para o tratamento de pacientes com obesidade e hipertensão a longo prazo. A cirurgia bariátrica foi responsável pela remissão da hipertensão em 40,9% dos pacientes operados avaliados após um período de três anos, ou seja, eles mantiveram a pressão controlada sem o uso de medicamentos. Nos pacientes submetidos ao tratamento clínico, a remissão foi de 2,5%.

O estudo Gateway — apresentado no Congresso da Associação Americana de Cardiologia (AHA 2019), realizado na Philadelphia, EUA — também constatou que 72,7% dos pacientes operados reduziram em pelo menos 30% o número de medicações que utilizavam antes da cirurgia. Já no grupo passando pelo tratamento clínico, apenas 12,5% conseguiram reduzir o número de medicações, sendo que na média este grupo terminou o terceiro ano tomando três vezes mais medicações anti-hipertensivas, cinco vezes mais estatinas para o controle do colesterol e oito vezes mais medicamentos para o diabetes, comparado ao grupo cirúrgico.

Participaram do estudo 100 pessoas. Destas, 50 foram submetidas a cirurgia de redução do estômago (Bypass gástrico) e outras 50 continuaram com o tratamento clínico. O estudo Gateway foi coordenado pelo cirurgião bariátrico, Carlos Aurélio Schiavon, e realizado no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo.

Ele explica que além de controlar a pressão arterial, o tratamento cirúrgico demonstrou melhores resultados em todos os parâmetros metabólicos e inflamatórios. “Após três anos de monitoramento, os pacientes operados apresentaram excelentes resultados no controle da glicemia que reduziu 14%, do LDL-colesterol (colesterol ruim) que reduziu 29%, dos triglicérides 47% e do IMC que reduziu 28% em relação à fase pré-operatória”, elencou Schiavon.

“Esses resultados do Gateway se somam aos grande estudos mundiais que mostram os enormes benefícios da cirurgia bariátrica e metabólica e que transcendem a perda de peso, resultando na remissão do diabetes tipo 2, da hipertensão arterial, entre outros aspectos”.

De acordo com o cardiologista, Luciano Drager, que participou do estudo, a obesidade aumenta em até 4 vezes as chances de um indivíduo ser hipertenso e de ter um Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto, problemas renais e Diabetes Tipo 2. Ele alerta que, mesmo com a remissão da hipertensão, os pacientes devem monitorar a doença. “Precisamos lembrar que a hipertensão não apresenta sintomas, é uma doença silenciosa”, reforça.

Perfil do especialista – O médico Cid Pitombo é especialista em tratamentos de obesidade e cirurgia bariátrica por videolaparoscopia, tendo se tornado referência nacional em seu segmento de atuação, com 30 anos de experiência, sendo 22 com bariátricas. Ao longo de sua carreira, realizou cerca de 5,5 mil cirurgias. Entre elas, 3,5 mil foram pelo Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica do Estado do Rio de Janeiro entre 2010 e 2020, coordenado pelo médico. É proprietário da Clínica Cid Pitombo, onde realiza atendimento multidisciplinar para tratamento de obesidade, com acompanhamento psicológico e nutricional para cerca de 100 pacientes por mês, de todo o Brasil. Tornou-se ainda mais conhecido ao operar os atores André Marques e Leandro Hassum, que contribuíram fortemente para disseminar a importância da cirurgia bariátrica. Tem mestrado e doutorado em temas ligados à obesidade e é editor do livro Obesity Surgery: Principles and Practice. Mais informações podem ser obtidas pelo site da clínica.

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