quarta-feira, agosto 10, 2022
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De volta ao campo, Rally da Safra avalia impactos do clima nas lavouras de milho segunda safra

Seis equipes técnicas percorrerão os principais Estados produtores até 11 de junho

O Rally da Safra volta à estrada, a partir desta semana, para dimensionar o potencial produtivo da segunda safra de milho que registra o plantio mais adiantado da história e altos investimentos em tecnologia. Será também o momento para constatar o tamanho da frustração causada pelo clima adverso nas lavouras de milho segunda safra. Os desafios do trabalho em campo começaram na última segunda-feira, dia 16 de maio, e seguem até 11 de junho, num período crítico das lavouras de milho consolidando o mais importante levantamento da safra brasileira.

“Os dois principais estados produtores de milho segunda safra tiveram um início de safra fantástico, com plantio antecipado e condições climáticas favoráveis na implantação. No Mato Grosso, 80% das áreas foram implantadas dentro do calendário ideal ou de baixo risco, que corresponde ao período até a terceira semana de fevereiro. No Oeste do Paraná, 63% das lavouras foram implantadas nessa mesma condição”, explica André Debastiani, coordenador do Rally da Safra.

A situação mais crítica fica por conta dos estados de Goiás e Minas Gerais, onde o calendário de risco climático é mais crítico em relação à safra passada em função do excesso de chuvas na colheita da soja, que estendeu o plantio do milho. Nesses estados, apenas 42% e 14% das lavouras, respectivamente, foram implantadas dentro do calendário ideal ou de baixo risco.

“Se considerarmos a data de corte do dia 28 de fevereiro podemos dizer que o plantio do milho no Brasil adiantou em média 15 dias, quando comparado com a safra passada. Há alguns destaques positivos, como é o caso do Paraná, que antecipou em 23 dias o plantio e o negativo, com Minas Gerais que apresenta um atraso de pelo menos 7 dias”, diz Debastiani.

Apesar do bom início de safra, a estiagem em abril trouxe dificuldades para o desenvolvimento das lavouras na maior parte do Centro Oeste. “Observamos um comportamento climático favorável à safra no início de março, com bom volume de chuvas no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mas no caso de Minas Gerais, a seca continuava. No final do mês, a irregularidade de chuvas atingiu também o estado de Goiás. Abril chegou com pouco ou quase nada de chuva. Algumas regiões ficaram sem chuvas entre 30 e 40 dias”, afirma.

Segundo o coordenador do Rally, é importante observar as condições climáticas que causam perdas de produtividade e cruzá-las com os dados do plantio. “Quanto maior a antecipação na implantação das lavouras, maior foi a parcela das lavouras que pendoaram em condições climáticas favoráveis. Apesar do clima seco em abril no Mato Grosso, podemos afirmar que 73% das lavouras pendoaram com boas condições de chuvas e não devem ser severamente afetadas pela seca. Ao olharmos para Goiás e Minas Gerais, a situação é bem distinta. Em Goiás, 24% das lavouras pendoaram com condições de chuvas regulares e, em Minas Gerais, apenas 6%. Certamente o peso da estiagem de abril – e que perdura em maio em algumas regiões – é maior nesses últimos dois estados”, relata.

Ainda que a irregularidade climática traga dificuldades aos produtores e quebras em algumas regiões, as perspectivas de produtividade são boas em comparação com a safra passada. O Mato Grosso poderá chegar a 101 sacos por hectare na safra 21/22, contra 95 na temporada passada. A estimativa para o Mato Grosso do Sul é de 93 sacas por hectare (43 na safra 20/21). Já Goiás poderá alcançar 84 sacas por hectare (68 na safra 20/21). A projeção para o Paraná é de 98 sacas por hectare (22 em 20/21) e mesmo Minas Gerais apresenta uma estimativa de 68 sacas por hectare (46 na safra passada).

Já em relação às estimativas de janeiro último, há queda de 7% na produtividade no Mato Grosso, 24% em Goiás e 28% em Minas Gerais. Os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul apresentam ligeiro crescimento (3%).

Diante desses dados, a Agroconsult, organizadora do Rally, projeta uma safra de 87,6 milhões de toneladas – redução de 4,6 milhões de toneladas sobre a perspectiva de janeiro – para uma área de 15,8 milhões de hectares. Trata-se de uma safra recorde – em 20/21, o Brasil colheu 60,9 milhões de toneladas de milho segunda safra, em 14,5 milhões de hectares. A safra total de milho é estimada em 113 milhões de toneladas, com crescimento de 29,6% sobre a anterior.

“Trata-se de um momento importante para conhecermos os efeitos da estiagem no campo, a partir da leitura do peso dos grãos e a população de plantas. Temos também alta infestação de cigarrinhas em todas as regiões produtoras, o que poderá reduzir a produtividade, mas isso só ficará mais claro durante a colheita, se houver tombamento das lavouras. São variáveis que vamos acompanhar em campo juntamente com a situação climática. Há previsão de geadas frequentes que poderão prejudicar as lavouras nesse período”, esclarece Debastiani.

Na última segunda-feira, dia 16, o Rally da Safra voltou a campo e seis equipes irão coletar amostras no Oeste, Médio-Norte e Sudeste do Mato Grosso e no Sudoeste de Goiás. No início de junho, os técnicos visitarão lavouras no Norte do Mato Grosso do Sul e Oeste do Paraná, finalizando os trabalhos de avaliação do milho segunda safra no dia 11 de junho.

Mais de 80 mil quilômetros deverão ser percorridos em 11 estados durante a 19ª edição do Rally da Safra, principal expedição técnica do agronegócio brasileiro. A expectativa é coletar 1500 amostras em campo. Organizada pela Agroconsult, a expedição técnica tem o patrocínio do Banco Santander, FMC, OCP Fertilizantes e Serasa Experian e apoio nacional da Hidrovias do Brasil e Unidas Agro.

O trabalho das equipes e o roteiro completo da expedição poderão ser acompanhados pelo http://bit.ly/RallyRedesSociais

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