Às margens do fronteiriço rio mamoré, dezenas de viajantes sobem e descem das lanchas sem parar no controle migratório em guayaramerín, uma das portas de entrada das facções brasileiras que expandem sua violência pela bolívia.
A pequena cidade, de 40.000 Habitantes, parece calma, mas os moradores denunciam uma insegurança crescente, por assaltos à mão armada, sequestros e outras agressões.
"Eles apontaram a arma para mim, apontaram a arma para me dominar e pegar o dinheiro com que eu trabalho aqui, levar minha moto, meu celular e tudo isso. A gente vive isso todos os dias aqui."
"As gangues e as máfias de roubo podem atravessar para cá, e as pessoas aqui em guayaramerín vão viver com esse medo, correndo esse risco."
"As pessoas entram. Entram em grande quantidade e nunca ninguém as revistam. Não, não há nenhuma checagem com documentos nem nada."
Segundo o governo boliviano, guayaramerín, assim como outras localidades fronteiriças da bolívia, viraram um "refúgio" do primeiro comando da capital e do comando vermelho, facções brasileiras que disputam o controle de corredores para traficar cocaína pelo atlântico.
Jhonny rivas peredo, comandante da polícia de guayaramerín
"Por ser uma região de fronteira, há muito comércio. Também há a presença de pessoas que se dedicam principalmente ao narcotráfico e ao contrabando. Da mesma forma, há muita presença de pessoas que se dedicam ao roubo de veículos."
Nas últimas semanas, uma dúzia de homicídios atribuídos a estas facções surpreenderam a bolívia, onde é incomum ver crimes tão violentos, entre eles a chacina de uma família, a descoberta de corpos decapitados ou o homicídio de um agente da polícia.
Na semana passada, o governo boliviano lançou em guayaramerín um plano de segurança para aumentar a presença policial nas fronteiras, trocar informação de inteligência com o brasil e capturar criminosos foragidos dos dois lados.