Geral NACIONAL
A grande mentira dos usineiros de milho
Críticas ao avanço das usinas colocam em xeque o discurso de sustentabilidade, geração de empregos e aproveitamento do milho na produção de combustível.
27/08/2026 19h30
Por: MC
RBTV

A mentira mais bem contada do agronegócio brasileiro tem nome, CNPJ e chaminé: a usina de etanol de milho.

Eles te vendem como “inovação”, “energia limpa”, “agro do futuro”. É tudo mentira. É marketing para esconder um negócio que só existe para queimar comida e inflacionar o prato do brasileiro.

A mentira da sustentabilidade:

“É sustentável.”
Sustentável onde? O usineiro de cana corta a cana, mói, e o próprio bagaço gera a energia que toca a usina inteira. É ciclo fechado. O usineiro de milho precisa comprar tudo: compra gás de fora, compra cavaco de eucalipto, que muitas vezes vem de desmate, compra lenha, compra energia da rede. Para fazer um litro de álcool de milho, ele queima quase meio litro de diesel e gás fóssil no processo. Isso não é verde. É um etanol marrom pintado de verde.

A mentira safada do alimento:

“Não atrapalha o alimento, porque sobra o DDG.”
Essa é a mais safada. Eles falam: “Olha, do milho eu faço álcool e farelo para animal.” Mentira por omissão. O milho in natura tem 100% de poder nutricional. Depois de virar álcool, sobra só 30% em forma de DDG, um farelo de baixa digestibilidade, úmido, que estraga em 48 horas e de que o gado nem gosta tanto. Você destruiu 70% do alimento para fazer combustível. Se isso não é jogar comida fora, o que é?

A mentira do emprego e desenvolvimento

“Gera emprego e desenvolvimento.”
Gera inflação. É o que gera. Uma usina de milho no Mato Grosso consome o milho de 500 km ao redor. Ela entra no mercado e paga R$ 5 a mais na saca. O pequeno criador de porco, o dono de granja de frango, o confinador que estão do lado não conseguem competir. Fecham as portas. O emprego que a usina cria com 100 funcionários, ela destrói com 500 na cadeia de proteína animal. E o consumidor final em Osasco, em São Paulo, paga o pato com o quilo do frango a R$ 25.

Usineiros de milho não são produtores de energia. São atravessadores de comida. Compram o grão que era do povo, queimam no alambique e vendem duas vezes: uma vez como combustível caro e outra como farelo caro.

A cana nos deu independência energética em 1975. O milho vai nos dar dependência alimentar em 2026. E, quando a conta da fome chegar, a mentira vai desabar junto com a chaminé!