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Relatório aponta aumento do recrutamento de crianças por grupos armados na Colômbia
O recrutamento de crianças e adolescentes por grupos armados ilegais aumentou nos últimos anos na Colômbia, impulsionado pela pobreza, exclusão social, falta de acesso à educação e pelo uso crescente das redes sociais, segundo relatório da Human Rights Watch.
25/08/2026 18h24
Por: Redação - Vinicius Fonte: Reuters Connect
Reuters Connect

Um relatório da Human Rights Watch divulgado na segunda-feira revelou que o recrutamento de crianças e adolescentes por grupos armados ilegais aumentou nos últimos anos na Colômbia. 

Pelo menos 1.500 menores de idade foram recrutados desde 2021, em um contexto marcado pela pobreza, exclusão social, falta de acesso à educação e aumento do uso das redes sociais.

Juanita Goebertus, diretora para as Américas da Human Rights Watch, detalha o problema.

"Desde 2021, pelo menos 1.500 meninos e meninas foram perdidos para a guerra. Embora o recrutamento presencial continue existindo nesses territórios devido à presença de grupos armados e do crime organizado, o fenômeno está cada vez mais disseminado nas redes sociais."

Os números são resultado de uma análise de dados da Defensoria do Povo realizada pela Human Rights Watch.

O estudo concluiu que a maioria dos menores foi recrutada por grupos dissidentes das Farc.

Segundo o relatório, os grupos armados usam as redes sociais para glorificar a vida em suas fileiras e entrar em contato com crianças por meio de fóruns públicos e serviços de mensagens privadas.

"Por meio do uso de plataformas como TikTok e Meta, meninos e meninas são atraídos para grupos armados com a promessa de uma vida de luxo, dinheiro fácil, prestígio, motos e maços de dinheiro."

A maioria dos casos documentados ocorreu no departamento de Cauca, no sudoeste do país.

Segundo a organização, as principais vítimas são integrantes de povos indígenas com idades entre 10 e 14 anos.

"Se observarmos os números, metade, ou quase metade das vítimas, é indígena. Isso também serve de alerta e nos leva a refletir sobre o tipo de vulnerabilidade e risco adicional enfrentado pelas famílias indígenas na Colômbia."

A Colômbia enfrenta um conflito armado interno há mais de seis décadas.

O confronto deixou cerca de 500 mil mortos e milhões de desalojados.