A ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha alertaram nesta terça-feira para o risco crescente representado por armas autônomas capazes de matar sem intervenção humana.
As duas instituições defenderam negociações urgentes para restringir o uso desse tipo de sistema.
Uma porta-voz leu a declaração do secretário-geral da ONU, António Guterres.
"Estamos perigosamente próximos de cruzar uma linha vermelha moral: a seleção autônoma de seres humanos como alvo por máquinas."
A declaração conjunta foi assinada por Guterres e pela presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric.
Na próxima semana, representantes de vários países se reunirão em Genebra para discutir possíveis novas regras para o uso de armas semiautônomas auxiliadas por inteligência artificial.
Sistemas desse tipo já foram utilizados em conflitos na Ucrânia, no Sudão, em Gaza, no Irã e na região do Golfo.
Armas totalmente autônomas já são empregadas por alguns exércitos, como sistemas antimísseis instalados em navios de guerra.
Mas não há registro conhecido de seu uso contra alvos humanos.
Organizações de direitos humanos alertam que sistemas movidos por inteligência artificial não podem ser controlados adequadamente.
Segundo essas entidades, isso aumenta o risco de erros fatais, como a incapacidade de reconhecer soldados feridos ou em rendição.
Elas também argumentam que, quando esses erros acontecem, é mais difícil responsabilizar os autores em eventuais investigações de crimes de guerra.
Carolyne Mélanie Regimbal, chefe de serviço do Escritório da ONU para Assuntos de Desarmamento, fez um apelo.
"Algumas decisões devem permanecer para sempre nas mãos dos seres humanos, e nenhuma mais importante do que a decisão de tirar ou não uma vida humana."