
Uma disputa sobre o uso de nomes tradicionais de queijos europeus se transformou em um novo foco de tensão nas negociações comerciais entre Estados Unidos e México.
O motivo é o acordo firmado em maio entre o México e a União Europeia, que amplia a proteção de produtos com Indicação Geográfica, mecanismo que vincula determinados alimentos a regiões específicas de origem e métodos tradicionais.
Entre os produtos protegidos estão o Parmigiano Reggiano, o feta e o manchego.
Washington argumenta que o acordo restringiria futuros produtores norte-americanos de venderem queijos no México com nomes como parmesão e feta, e há anos sustenta que essas denominações são genéricas.
Segundo fontes do governo mexicano, a questão causou um impasse nas negociações comerciais entre Estados Unidos e México.
Quase 30% do queijo consumido no país latino-americano é estrangeiro, principalmente oriundo de seu vizinho do norte.
Embora o acordo entre México e União Europeia já tenha sido assinado em maio, ele ainda depende da ratificação do Congresso mexicano para entrar em vigor.
A Comissão Europeia afirmou que os termos do tratado não podem ser alterados.
Representantes europeus do setor veem benefício para ambos os lados, como é o caso do presidente do Conselho Regulador do Queso Manchego, Antonio Martínez Blasco.
"Obviamente haverá um importante intercâmbio cultural e de produtos e, neste caso, um intercâmbio gastronômico muito importante, e isso obviamente estimulará o consumo de queijo de forma geral, tanto dos queijos europeus em direção ao mercado mexicano quanto do México em direção aos europeus."
Produtores europeus de queijo afirmam que o embate com os Estados Unidos reflete modelos agrícolas divergentes: de um lado, a produção em larga escala; de outro, a preservação de tradições regionais protegidas.