Washington — A estratégia de usar tarifas como arma política começa a cobrar seu preço. O que foi vendido como medida para proteger o emprego americano e punir rivais comerciais se transformou em um bumerangue inflacionário dentro dos Estados Unidos.
Nas últimas semanas, os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos anunciaram retaliações cirúrgicas. China, União Europeia e México elevaram taxas sobre produtos agrícolas e industriais americanos, atingindo justamente a base eleitoral do interior que sustentou o discurso protecionista.
Enquanto isso, dentro de casa, o efeito é direto no caixa do supermercado. Levantamentos do varejo mostram alta de até 12% em eletrodomésticos, peças automotivas e alimentos industrializados importados. A indústria americana, que depende de componentes vindos de fora, foi a primeira a alertar: o custo de produção subiu e a competitividade caiu.
Como ninguém do staff de Trump explicou que não é a China que paga o imposto, e sim o importador americano, que repassa o custo ao consumidor? Isso é tão básico que impressiona a inocência, para não chamar de burrice aguda!
Mas há sempre aquela hipótese de que interesses não dos americanos, mas dos “amiguinhos do rei”, contribuíram para a tomada de decisão.
Nos bastidores do Partido Republicano, o incômodo cresce. Empresários do agronegócio e do setor de tecnologia, tradicionais doadores da legenda, pressionam por recuo. No Capitólio, já há projetos para limitar o poder do Executivo de impor tarifas sem aval do Congresso.
O isolamento internacional é outro custo. Enquanto Washington fecha portas, Pequim avança, fechando novos acordos na Ásia e na América Latina, ocupando espaços deixados pelos americanos.
Trump apostou que mexer nas taxas mostraria força. Agora, amarga a lição básica da economia global: em uma cadeia produtiva integrada, toda tarifa imposta lá fora vira conta aqui dentro. E quem paga, no final, é o contribuinte americano.
Para o Brasil, o mercado americano é importante? SIM. Porém, quando se trata de alimentos, a importância é muito menor, uma vez que, com o déficit alimentício mundial, arrumar outro parceiro comprador é mais simples.