
Taiane Torres da Silva, moradora do Rio de Janeiro, diz que estas fotos comprovam a eficácia do medicamento que usa para emagrecer.
Mas o produto é ilegal.
As injeções foram contrabandeadas do Paraguai para o Brasil e nunca foram avaliadas pelas autoridades de saúde.
“Medo a gente sempre tem, porque, como tem uma fama de que o medicamento não é legalizado no nosso país, a gente fica com um pé atrás. Mas, assim, a gente vai, né? Porque a gente quer emagrecer, então a gente topa qualquer coisa. Mas, graças a Deus, eu já perdi quatro quilos em um mês.”
Taiane faz parte de um número crescente de brasileiros que estão deixando o medo de lado para perder peso.
Os medicamentos ilegais custam apenas uma fração do preço das versões de marca.
A tosadora de animais recebe um salário mínimo por mês e gasta quase 400 reais a cada seis semanas com produtos contrabandeados.
Em abril, agentes da alfândega brasileira revistaram um ônibus de turismo vindo do Paraguai e encontraram centenas de frascos de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, escondidos dentro de recipientes de doce de leite.
Segundo a Associação Brasileira de Combate à Falsificação, as apreensões de medicamentos ilegais para emagrecimento à base de GLP-1 passaram de cerca de 600 unidades em 2024 para mais de 60 mil unidades em 2025.
E o número continua crescendo neste ano.
A preocupação dos especialistas não é apenas o volume de apreensões, mas a forma como são fabricados e transportados.
Eles dizem que armazenar os produtos em locais expostos ao calor pode comprometer até os corretamente fabricados.
Fármacos que não passam por avaliação das autoridades sanitárias podem desencadear uma crise de saúde pública.
Autoridades brasileiras associaram os produtos ilegais a mais de 80 mortes, ainda sob investigação, e a mais de 3.600 problemas médicos.
Em muitos casos, o desejo de emagrecer supera os riscos.
A assistente de RH, Vitória Braga, exibe marcas de hematomas na barriga causadas pela aplicação de um medicamento contrabandeado para perda de peso.
“Eu quis aumentar a dose e tomei de 5mg. Aí a de 5mg eu passei mal, senti dores de cabeça durante uma semana. Não senti fome alguma, qualquer tipo de alimento que eu olhava já me embrulhava o estômago. Eu não conseguia comer nada.”
Vitória, o namorado dela e três parentes continuaram utilizando os medicamentos adquiridos de um fornecedor desconhecido.
“Nesses quatro dias que eu fiquei de cama, o único medo que eu senti foi a dor de cabeça porque eu achei que poderia ser a minha pressão, que poderia até estar alta. Verifiquei e não estava. Fiquei me cuidando em casa, não procurei um médico.”
Autoridades brasileiras esperam que novos tratamentos e a disponibilidade de medicamentos autorizados mais baratos ajudem a afastar consumidores do mercado ilegal de produtos para emagrecer.