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Minas Gerais restringe a publicidade de apostas e o setor contesta a medida no STF

Uma nova disputa envolvendo publicidade de apostas colocou Minas Gerais no centro de um debate jurídico que ultrapassa os limites do estado. Em 20 de agosto, o governo mineiro publicou o Decreto nº 49.279, que proibiu a veiculação de publicidade, propaganda, promoção comercial e patrocínio de empresas de apostas de quota fixa em bens públicos estaduais e em eventos promovidos ou apoiados pelo Poder Executivo.

Por: Redação - Joana Fonte: Rbtv
04/09/2026 às 16h25
Minas Gerais restringe a publicidade de apostas e o setor contesta a medida no STF
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Minas Gerais restringe a publicidade de apostas e o setor contesta a medida no STF

Uma nova disputa envolvendo publicidade de apostas colocou Minas Gerais no centro de um debate jurídico que ultrapassa os limites do estado. Em 20 de agosto, o governo mineiro publicou o Decreto nº 49.279, que proibiu a veiculação de publicidade, propaganda, promoção comercial e patrocínio de empresas de apostas de quota fixa em bens públicos estaduais e em eventos promovidos ou apoiados pelo Poder Executivo.

A medida não representa uma mudança na situação jurídica do mercado nacional. As apostas de quota fixa já funcionam sob regulamentação federal, com operadores autorizados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), ligada ao Ministério da Fazenda. O que surgiu agora é uma discussão sobre os limites da atuação de um estado diante de um setor cuja atividade econômica e publicidade possuem regras estabelecidas nacionalmente.

É justamente esse ponto que levou a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) a anunciar que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). Para a entidade, a norma mineira cria restrições que ultrapassam a competência estadual e podem produzir tratamento diferente para empresas que já estão submetidas às regras federais.

O que o decreto de Minas Gerais determina

O Decreto nº 49.279 é mais específico do que uma proibição geral de publicidade de apostas em todo o território mineiro.

A norma alcança bens públicos estaduais e eventos promovidos ou apoiados pelo Poder Executivo. A restrição inclui placas, painéis, faixas, banners, totens, equipamentos eletrônicos, telões, sistemas de sonorização, ações de ativação de marca, naming rights, camarotes e outros espaços utilizados para exposição comercial.

Na prática, a medida interfere em uma das áreas mais relevantes para a estratégia de marketing das casas de apostas: o esporte.

Estádios, campeonatos e eventos esportivos se tornaram importantes vitrines para as marcas do setor nos últimos anos. Por isso, qualquer mudança que limite a presença dessas empresas nesses espaços pode produzir consequências comerciais que vão além da publicidade convencional.

Um exemplo concreto apareceu poucos dias depois da publicação do decreto. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enviou um ofício ao Cruzeiro alertando para os efeitos da norma sobre o Mineirão, estádio utilizado pelo clube. Segundo a entidade, a restrição poderia atingir placas, painéis, telões, camarotes e outras propriedades comerciais normalmente utilizadas durante as partidas.

Por que a medida chegou ao STF

A controvérsia não está relacionada à existência da regulamentação nacional, que já está em vigor. O questionamento envolve a possibilidade de uma norma estadual estabelecer limitações adicionais sobre a publicidade de uma atividade submetida à legislação federal.

A ANJL informou que pretende apresentar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ao STF. Segundo a associação, o decreto mineiro interfere em uma matéria que já foi disciplinada pela União e cria insegurança jurídica para empresas que possuem autorização para operar no país.

A discussão ganhou ainda mais importância porque não se trata de um caso isolado. Outros estados e municípios também vêm discutindo restrições à publicidade de apostas, enquanto o Congresso Nacional debate propostas que podem alterar novamente as regras nacionais de comunicação do setor.

Em agosto, por exemplo, projetos em tramitação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais propuseram novas limitações à publicidade de apostas, incluindo regras sobre horários, mensagens de alerta, direcionamento de anúncios e utilização de determinados recursos visuais.

O debate sobre publicidade é diferente da regulamentação

Essa distinção é importante para entender o momento atual.

O Brasil não está diante de um mercado esperando autorização para funcionar. Desde 2025, operadores que receberam autorização federal atuam dentro de um sistema que estabelece requisitos para licenciamento, fiscalização, publicidade, pagamentos, prevenção à lavagem de dinheiro e proteção dos usuários.

O que está em discussão agora é até onde podem chegar novas restrições impostas por estados e municípios, especialmente quando envolvem publicidade, patrocínio e ocupação de espaços públicos.

Para o setor, a preocupação está principalmente na possibilidade de regras diferentes serem aplicadas conforme a localização. Para autoridades públicas e defensores de restrições mais severas, a justificativa está relacionada à proteção de grupos vulneráveis e à redução da exposição às apostas.

Consumidor também busca mais informação

Embora a discussão tenha origem jurídica e institucional, ela também chama atenção para a importância de informações claras para quem acompanha o mercado de apostas e jogos online. Com diferentes marcas, modalidades e serviços disponíveis, conteúdos especializados ajudam o público a conhecer melhor as empresas que atuam no setor e a entender quais operadores possuem autorização para funcionar no país.

Essa variedade é especialmente perceptível no segmento de cassino online, que reúne máquinas caça-níqueis, jogos de mesa e diferentes formatos de entretenimento digital. Para o consumidor, acompanhar a expansão desse mercado significa também comparar empresas, conhecer suas marcas e verificar quais plataformas estão dentro das regras estabelecidas para o setor.

Nesse contexto, listas e avaliações especializadas ganham relevância como ferramentas de consulta. O BrasilCasinos reúne informações sobre os operadores que atuam no mercado brasileiro e disponibiliza uma lista completa de sites licenciados, permitindo que o usuário tenha uma referência para identificar as empresas autorizadas e conhecer melhor as opções disponíveis. A iniciativa reforça o papel da informação na relação entre consumidores e um mercado que passa por constante crescimento e aperfeiçoamento das suas regras.

Um conflito que pode estabelecer precedente

A eventual ação da ANJL no STF poderá ter importância para além de Minas Gerais.

Caso a Corte seja chamada a analisar os limites entre a competência federal e a atuação dos estados na publicidade de apostas, a decisão poderá servir como referência para outras iniciativas semelhantes espalhadas pelo país.

O processo também ocorre em um momento de forte pressão sobre a comunicação do setor. Nesta quarta-feira, 2 de setembro, a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou um projeto que prevê restrições amplas à publicidade de apostas de quota fixa em televisão, rádio, jornais, revistas, redes sociais, sites e serviços de streaming, além de proibir patrocínios a clubes, campeonatos, influenciadores e atletas. O texto ainda depende de votação no plenário.

Isso mostra que a publicidade se tornou uma das próximas grandes frentes de discussão do mercado regulado.

Entre proteção e segurança jurídica

O caso mineiro coloca dois interesses em lados diferentes da mesma discussão.

De um lado, governos e parlamentares defendem mecanismos capazes de reduzir a exposição da população às apostas e reforçar medidas de jogo responsável. De outro, empresas e entidades do setor argumentam que os operadores autorizados já estão sujeitos a regras nacionais e que novas restrições precisam respeitar a divisão constitucional de competências.

O STF terá papel importante caso a contestação seja formalmente apresentada e avance para análise da Corte.

Enquanto isso, o episódio reforça uma característica da atual fase do mercado brasileiro: a regulamentação já existe, mas seus limites continuam sendo aperfeiçoados e discutidos em diferentes instâncias. A disputa em Minas Gerais mostra que o próximo capítulo não será necessariamente sobre permitir ou proibir apostas, mas sobre definir como uma atividade já autorizada deve se relacionar com a publicidade, o espaço público e as políticas de proteção ao consumidor.

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