Sob aplausos no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lançou uma proposta inédita: abrir caminho para que o Canadá se torne o primeiro membro associado da União Europeia.
Durante seu discurso anual sobre o Estado da União, von der Leyen afirmou que o bloco precisa compensar suas parcerias diante de um cenário internacional cada vez mais assustador.
Ela defendeu uma aproximação sem precedentes com Ottawa e anunciou ter convidado o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, para construir uma nova etapa da relação entre os dois lados.
“Vamos trabalhar em manufatura inteligente. Vamos criar uma aliança tecnológica. Vamos integrar as bases industriais de defesa. Vamos transformar o Ártico em um projeto conjunto emblemático. Vamos avançar em energia, minerais críticos e baterias, além de IA, computação quântica, segurança cibernética e segurança econômica. Esta não é uma parceria contra ninguém, mas em favor de nossas forças comuns.”
Os especialistas ressaltam, porém, que a iniciativa não significa a entrada do Canadá na União Europeia, como explica o diretor do European Policy Centre, Fabian Zuleeg:
“A adesão plena é algo que está muito bem definido nos tratados europeus. Existem certos pré-requisitos associados a isso, inclusive geográficos; é preciso estar na Europa para se tornar membro pleno da União Europeia. Portanto, isso não está em discussão. Ninguém está falando em mudar os tratados para acordos esse status.”
Os políticos europeus reagiram positivamente à ideia, apontando oportunidades de ampliar a cooperação em segurança, ciência e intercâmbio entre cidadãos.
A proposta ainda precisará do apoio dos Estados-membros da União Europeia para avançar, mas já alimenta a discussão sobre modelos semelhantes para outros parceiros próximos do bloco.