
Equipes de resgate trabalharam quarta-feira para procurar nestas bolsas de desaparecidos após o desabamento de um prédio na Cidade de Gaza.
De acordo com a Defesa Civil local, pelo menos 20 mortes já foram confirmadas, entre elas cinco crianças.
Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil de Gaza "Um edifício de seis andares desabou sobre seus moradores às 3 da manhã.
Os vizinhos e as famílias das vítimas ouviram o desabamento. Esta é a primeira vez, desde o início da guerra contra Gaza, que um prédio onde viviam 100 civis desaba."
De acordo com as autoridades, o edifício, com quatro apartamentos residenciais por andar, foi "alvo direto" durante uma guerra, o que comprometeu a "integridade estrutural e provocou o desabamento", afirmaram as autoridades locais.
A agência de Defesa Civil compromete quase 2.000 prédios na Faixa de Gaza que enfrentam o risco de desabamento. Segundo o órgão, os trabalhos de resgate são feitos com “equipamentos limitados e ferramentas rudimentares” porque Israel “impede a entrada de máquinas pesadas” na Faixa de Gaza. Segundo o gabinete de imprensa do Hamas, os moradores foram orientados a não retornar ao prédio após os ataques, mas muitos arriscaram a volta devido à magnitude da destruição no território e à falta de moradias.
Ahmed Al-Ajla, Parente de vítimas do desabamento "Esses prédios não passam de bombas-relógio.
A guerra não acabou, pois ainda existem bombas-relógio na forma de casas à beira do desabamento." O departamento de imprensa do governo de Gaza, controlado pelo grupo islâmico, atribuiu o desabamento aos atrasos na entrega prometida do território.
Israel permitiu a entrada de ajuda adicional na Faixa desde a declaração de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2025.
Mas o Exército do país prossegue com os ataques e restringiu a entrada de equipamentos que, segundo afirma, também poderia ter uso militar.
Nesta quarta, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que é apenas uma questão de tempo até que o país retome uma guerra em larga escala em Gaza e comece a expulsar seus dois milhões de palestinos.
Em um comunicado, Katz disse que, como o desarmamento do Hamas, parte do acordo de cessar-fogo ocorrido em outubro de 2025, "não vai acontecer (…) o Exército israelense está preparado, assim que receber a diretriz de eliminar o Hamas, para concluir o trabalho, e implementar o plano migratório".
O presidente egípcio Abdel Fatah al Sisi rejeitou qualquer plano destinado a deslocar os palestinos.
O Egito compartilha a única fronteira terrestre da Faixa de Gaza que não está sob controle de Israel e, desde 2023, tem se manifestado contra os projetos para deslocar mais de 2 milhões de habitantes do território palestino para a península egípcia do Sinai.