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EUA deportaram mais de 25.000 pessoas para terceiros países sob acordos sigilosos
Uma investigação internacional revelou que os Estados Unidos deportaram mais de 25 mil pessoas para países cujos quais elas não tinham vínculos, por meio de acordos mantidos em grande parte sob sigilo. A política do governo Donald Trump envolveu 35 países e pelo menos 410 milhões de dólares em recursos destinados a governos e organismos internacionais para viabilizar as deportações.
21/09/2026 17h29
Por: Redação - Vinicius Fonte: AGENCIA FRANS PRESS
AGENCIA FRANS PRESS

Os Estados Unidos deportaram mais de 25.000 pessoas com base em acordos secretos estabelecidos com 35 países para receber migrantes que não tenham vínculos com estas nações.

É o que aponta uma investigação conduzida pela organização sem fins lucrativos Forbidden Stories, Histórias Proibidas em português, e publicada nesta segunda-feira.

Desde que o presidente Donald Trump assumiu a carga em janeiro de 2025, o governo americano assinou acordos com países em desenvolvimento para que recebam migrantes que não podem ser enviados legalmente de volta para suas nações de origem.

Segundo a apuração, realizada em conjunto com um consórcio de jornalistas internacionais, foram destinados 410 milhões de dólares mais de 2 bilhões de reais para entrega direta aos países receptores ou para organismos da ONU, com o objetivo de facilitar as deportações.

Dos mais de 25 mil deportados, quase 20.000 foram enviados para o México, enquanto outras pessoas foram distribuídas entre outros 27 países da América Latina, África e Pacífico. Além disso, foram estabelecidos acordos com outros sete Estados.

Uma investigação da AFP revelou que Washington está utilizando proibições de vistos e restrições contra países africanos para pressioná-los a aceitar deportados.

Advogados afirmaram à agência que os deportados entram em um "limbo jurídico", retidos sem acusações em países com os quais não têm vínculos e onde contam com poucos direitos, quando têm algum.

Segundo a Forbidden Stories, 49 dos 54 países de África foram contactados para avaliar se aceitariam deportados de terceiros países.

O relatório detalha a relação com Camarões, por exemplo.

país com o qual os Estados Unidos discutiram em dezembro um memorando de entendimento para aceitar deportados.

Uma semana depois foi assinado um acordo para um programa de assistência em saúde no valor de quase 400 milhões de dólares e, no mês seguinte, foram anunciados mais 30 milhões de dólares para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados em Camarões.

O primeiro avião com deportados chegou ao país africano em 14 de janeiro.

Outros acordos incluem pagamentos diretos a governos, como Palau, uma pequena nação insular do Pacífico que assinou um acordo para aceitar até 75 cidadãos de terceiros países em troca de 7,5 milhões de dólares, e Essuatíni, que já recebeu 32 pessoas de um potencial total de 160 contemplados num acordo avaliado em mais de 5 milhões de dólares.

Segundo a investigação, o país aceitou, inclusive, deportados com antecedentes criminais.