Cidades Rio Preto - SP
Filhotes de onça-parda seguem para o Zoológico de Garça
Após quase um ano de cuidados e acompanhamento no Zoobotânico de Rio Preto, animais, que chegaram com cerca de 850 gramas, já ultrapassam 30 quilos
22/09/2026 17h07
Por: Redação Fonte: Prefeitura de Rio Preto - SP

Dois filhotes de onça-parda que chegaram ao Zoobotânico Municipal de São José do Rio Preto em outubro de 2025 iniciam uma nova etapa de suas vidas.

Após quase um ano de cuidados, acompanhamento veterinário e adequação do manejo às diferentes fases de desenvolvimento, os animais serão transferidos para o Zoológico de Garça.

Os dois exemplares, um macho e uma fêmea, chegaram ao Zoobotânico com aproximadamente três a cinco semanas de vida e cerca de 850 gramas cada. Eles foram encontrados por funcionários de uma usina após a colheita de um canavial, na zona rural de Monte Aprazível.

Por serem muito jovens e ainda dependentes de cuidados, passaram a receber acompanhamento praticamente contínuo da equipe do Zoobotânico. Nos primeiros meses, os filhotes eram alimentados por mamadeira a cada duas horas, inclusive durante a noite e a madrugada, com fórmula láctea substitutiva do leite materno.

Também eram mantidos em ambiente protegido, com cobertores e outros elementos para auxiliar na manutenção da temperatura corporal. Após as mamadas, recebiam estímulos para a eliminação de urina e fezes, reproduzindo, dentro das possibilidades do manejo humano, cuidados que seriam realizados pela mãe.

Ao longo do período, a equipe veterinária acompanhou constantemente o desenvolvimento, a condição física e a adaptação dos animais. A alimentação também foi adaptada conforme o crescimento. Atualmente, os dois recebem carne uma vez ao dia, às 16h, em quantidade aproximada de 1,2 quilo para cada animal.

De menos de um quilo a mais de 30 quilos

A evolução dos filhotes ao longo de quase um ano é significativa. A fêmea, que chegou com 852 gramas, atualmente pesa 30,5 quilos. O macho, que tinha 848 gramas, chegou a 39,8 quilos.

A transformação envolveu não apenas o ganho de peso, mas também mudanças graduais no manejo, na alimentação e no ambiente, de acordo com as necessidades de cada fase de desenvolvimento.

Por que não retornam à natureza?

Apesar do crescimento e do desenvolvimento, o retorno dos animais à natureza não é indicado. Como foram separados da mãe quando ainda tinham poucas semanas de vida, eles não tiveram a oportunidade de aprender comportamentos fundamentais para a sobrevivência em ambiente natural, especialmente aqueles relacionados à caça e ao reconhecimento e utilização do território.

Nessas situações, instituições especializadas na proteção e conservação da fauna, como zoológicos e zoobotânicos, exercem papel importante na manutenção dos animais sob cuidados humanos e na garantia de condições adequadas de bem-estar.

“Como médica-veterinária atuante em Zoológico e na reabilitação de animais silvestres, é impossível não se sensibilizar com a quantidade de animais que chegam vítimas das consequências das ações humanas. Ao mesmo tempo, é muito gratificante saber que podemos usar o conhecimento e a estrutura disponíveis para transformar essas histórias”, afirma a médica-veterinária do Zoobotânico, Natasha Fujii Ando.

Segundo ela, a soltura é sempre o principal objetivo quando tecnicamente possível e segura. Quando o retorno à natureza não é viável, são buscadas alternativas que garantam qualidade de vida e bem-estar, como a permanência no plantel ou a transferência para instituições capacitadas.

Nova morada

Depois de quase um ano de cuidados no Zoobotânico de São José do Rio Preto, os dois exemplares serão transferidos para o Zoológico de Garça, onde continuarão sendo acompanhados e receberão manejo compatível com a fase de desenvolvimento em que se encontram.

O processo de autorização da transferência é acompanhado pela Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL) e pelo Núcleo de Gestão Faunística (GEFAU).

Para a gestora do Zoobotânico, Camila Pacifico Sparvoli, a transferência representa o encerramento de um ciclo de cuidados e o início de uma nova etapa. “Eles chegaram ao Zoobotânico com poucas semanas de vida, pesando menos de um quilo e necessitando de cuidados praticamente contínuos. Hoje, depois de quase um ano de acompanhamento, crescimento e desenvolvimento, eles ultrapassam 30 quilos e iniciam uma nova etapa. Ficamos muito felizes por saber que terão uma nova oportunidade no Zoológico de Garça. Não é uma despedida, mas a continuidade de uma história de cuidado, proteção e conservação”, afirma.

O trabalho realizado pelo Zoobotânico envolveu cuidados veterinários, alimentação, acompanhamento do desenvolvimento, manejo e adequação do ambiente às necessidades dos animais. A transferência, portanto, representa a continuidade do trabalho de conservação e bem-estar iniciado desde a chegada dos filhotes.

Esta iniciativa contempla os itens 3, 15 e 17 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: Saúde e Bem-Estar (3), Vida Terrestre (15) e Parcerias e Meios de Implementação (17). Conheça a Agenda 2030: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs