O Brasil registrou o número recorde de 191 candidatos indígenas que disputaram cargos públicos nas eleições marcadas para outubro.
Eles concorrem em um cenário político cada vez mais conservador e com forte influência dos interesses do agronegócio.
É o maior número desde que informações sobre a etnia dos candidatos foram divulgadas, em 2014.
Ainda assim, eles representam menos de 1% das quase 21 mil candidaturas registradas.
Em Manaus, a candidata a deputada federal Vanda Witoto faz campanha em mercados e comunidades indígenas.
Ela afirma que ampliar a representação política é uma estratégia para proteger direitos básicos e territórios ameaçados.
Além de alertar para os danos da compra e venda de votos.
"Quando você troca o voto por R$ 20, por R$ 30, essas pessoas não retornam para os nossos desenvolvimentos de políticas públicas. E a gente vem alertando nosso povo para que não vote dessa forma, que a gente consiga votar em candidaturas indígenas, na minha candidatura como deputada federal, como uma estratégia importante para a garantia dos direitos básicos e proteção dos nossos territórios, que hoje estão extremamente ameaçados pela questão da exploração de minerais raros."
No Rio de Janeiro, Tereza Arapium disputa uma vaga na Assembleia Legislativa e usa folhas de árvores como material eleitoral.
"Nós, mulheres indígenas, precisamos ter a voz e precisamos ocupar o espaço de decisão. Nós temos que estar nos espaços de decisão, na nossa luta pelos territórios, pela mãe terra, pelo meio ambiente."