O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez seu discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira para alertar contra a interferência estrangeira na eleição brasileira de outubro.
"A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais."
As declarações pareciam uma referência ao candidato presidencial de direita Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Pesquisas de opinião mostram Lula e Flávio técnicos empatados em um segundo turno possível.
Lula afirmou que o sistema eleitoral brasileiro é moderno e robusto e alertou contra campanhas de desinformação destinadas a distorcer o debate público.
“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular.”
O presidente brasileiro também rejeitou interferências externas no combate ao crime organizado, depois que Washington classificou duas grandes facções brasileiras do narcotráfico como organizações terroristas.
"Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime organizado."
O discurso ocorreu em uma Assembleia Geral marcada por envolver outros países latino-americanos.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, chegou aos Estados Unidos para participar da reunião da ONU e se encontrar com o presidente norte-americano Donald Trump. Foi sua primeira viagem ao país desde que assumiu o cargo em janeiro, após a captura de Nicolás Maduro pelas forças norte-americanas.
Tanto em Nova York como em Caracas, manifestantes da oposição rejeitaram a representação de Rodríguez na ONU e criticaram o encontro com Trump.
Já durante seu próprio discurso na Assembleia Geral, Trump chamou Cuba de ‘Estado fracassado’ e afirmou que seu governo busca uma mudança fundamental na ilha.
A delegação cubana saiu do plenário durante as declarações do presidente norte-americano.