
Mesmo diante de um cenário de desafios para a gestão pública da saúde, a assistência prestada à população de Campo Grande manteve trajetória de crescimento no segundo quadrimestre de 2026. Além de ampliar a produção dos serviços na ponta, o município manteve a aplicação de recursos em saúde bem acima do mínimo constitucional: foram 24,6% da receita de impostos e transferências destinados a Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS), ante o mínimo de 15%.
Os dados foram apresentados nesta segunda-feira (28) pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, durante a prestação de contas do Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (RDQA), realizada na Câmara Municipal.

Um dos principais resultados está na Atenção Primária, que registrou 2.170.701 ações no período analisado (maio a agosto), um crescimento de quase 5% em relação ao mesmo período de 2025. O volume reúne 982.741 visitas domiciliares realizadas por agentes comunitários de saúde, 694.808 procedimentos, 438.884 atendimentos individuais e 54.268 atendimentos odontológicos.
Para o titular da Sesau, o dado demonstra que o resultado da gestão precisa ser medido, principalmente, pela capacidade de fazer a assistência chegar ao cidadão.
“Quando a gente olha esses números, o que mais importa é entender o que existe por trás deles: são milhões de ações acontecendo na ponta, profissionais atendendo, equipes visitando as famílias e pessoas tendo acesso ao cuidado. Mesmo diante de um cenário desafiador, nós conseguimos manter a assistência avançando. Esse é o compromisso que orienta o nosso trabalho: fazer com que a saúde aconteça para quem precisa dela.”

Outro destaque apresentado foi a atenção especializada da rede própria, que registrou 100.859 procedimentos ambulatoriais no segundo quadrimestre, contra 66.823 no primeiro. A média mensal passou de 22.274 para 33.620 procedimentos. O relatório aponta crescimento de 50,9%, mas ressalva que parte da diferença está relacionada à migração dos registros de procedimentos realizados para o sistema e-SUS.
Na saúde mental, a média mensal de atendimentos e acompanhamentos psicossociais passou de 14.106 para 14.866, uma alta de 5,4% em relação ao primeiro quadrimestre. A rede própria reúne CAPS, residências terapêuticas e ambulatório de saúde mental, entre outros dispositivos.
A prestação de contas também mostra evolução nos indicadores relacionados à assistência farmacêutica. A disponibilidade de medicamentos na Central de Abastecimento passou de 65% para 76%, chegando a quase 80%, resultado do trabalho de reorganização da distribuição realizado pela gestão. O indicador mostra uma evolução importante na regularidade da oferta de medicamentos à população.
Saúde mantém aplicação acima do mínimo constitucional
Na área financeira, os dados acumulados até o terceiro bimestre mostram que o município aplicou 24,6% da receita de impostos e transferências em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS), enquanto o mínimo constitucional é de 15%. A diferença é de 9,6 pontos percentuais acima do limite estabelecido. O valor liquidado em ASPS chegou a R$ 414 milhões.
Entre o segundo e o terceiro bimestres, quando computadas as despesas totais (ASPS + SUS) de saúde, as despesas liquidadas passaram de R$ 562 milhões para R$ 849,7 milhões, enquanto os valores pagos subiram de R$ 505 milhões para R$ 788,8 milhões.
A prestação de contas também apresentou a execução de R$ 6 milhões em emendas parlamentares destinadas à saúde até o segundo quadrimestre. Os recursos já pagos financiaram, entre outros serviços, procedimentos cirúrgicos ortopédicos e procedimentos e cirurgias urológicas.
Para o secretário, os números apresentados refletem mais do que a execução de serviços e recursos: mostram o impacto direto da gestão na vida da população.

“O que esses números mostram é que, mesmo diante dos desafios, a assistência não parou. Pelo contrário: a gente conseguiu aumentar a produção na ponta, melhorar indicadores importantes e avançar na organização da rede. E, para nós, cada número representa uma pessoa que foi atendida, uma família que recebeu cuidado, alguém que conseguiu acesso ao serviço de que precisava.”