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Semeando Informação mostra como a produção de shitake une renda e agricultura regenerativa

Episódio discute como a agrofloresta pode recuperar áreas degradadas e ampliar as possibilidades da agricultura familiar.

Redação
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa do Paraná
28/09/2026 às 16h20
Semeando Informação mostra como a produção de shitake une renda e agricultura regenerativa
Cogumelos shiitake colhidos em sistema agroflorestal, onde o cultivo em madeira contribui para a renda e para a regeneração do solo. - Foto: Divulgação/Pronobis Agroflorestal

O programa Semeando Informação desta segunda-feira (28) aborda a agricultura regenerativa e mostra como práticas criativas e sustentáveis no campo podem gerar renda, recuperar áreas degradadas e atrair novas gerações para a atividade rural. O tema é discutido a partir da experiência da Pronobis Agroflorestal, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, com a participação dos convidados Karina Gonçalves David e Thales Bevilacqua Mendonça, que levaram ao estúdio uma demonstração do cultivo de cogumelos shitake em toras.

Um dos destaques da conversa é a integração do cultivo ao sistema agroflorestal, técnica agrícola baseada nos princípios da floresta. Em vez da monocultura, a agrofloresta reproduz a diversidade da natureza de forma planejada. Nesse modelo, o eucalipto cumpre várias funções, entre elas a de produzir matéria orgânica para proteger e alimentar o solo. Com o shitake, a madeira passou a ter um uso a mais. Antes de retornar à terra, ela gera renda. Depois que o cogumelo decompõe a tora, o que sobra continua enriquecendo o solo. "Antes de voltar para o solo, fez renda", resumem os entrevistados.

O programa detalha as diferenças entre o cultivo em toras e a produção em escala industrial. No método tradicional, o fungo se alimenta diretamente da madeira, sem suplementação. Na produção industrial, o cogumelo cresce em blocos de substrato, uma espécie de ração. Para explicar a diferença, os convidados recorrem a uma comparação com o "ovo caipira" e o "cogumelo de granja". O resultado, segundo eles, é um produto diferenciado em sabor, textura e qualidade, com características que variam conforme a madeira utilizada, o chamado terroir.

Ao falar do mercado, os produtores contam o que viram em viagens de capacitação à China, à Coreia do Sul e ao Japão. Em supermercados japoneses, o cogumelo identificado como produzido em madeira é vendido por um valor maior, porque o consumidor reconhece a qualidade superior. No Brasil, o consumo ainda está em crescimento, e a construção desse mercado passa por informar o público e estimular a degustação. Para eles, "não tem marketing melhor do que a própria pessoa gostar do produto".

A conversa também trata do beneficiamento. Na agroindústria orgânica e certificada da propriedade, o excedente da produção é desidratado. O processo amplia o prazo de validade, que passa de cerca de 15 dias, no cogumelo fresco, para até um ano. Com isso, o produto chega a mercados mais distantes e nada se perde.

Outro eixo do programa é o potencial do cultivo como alternativa de diversificação de renda para a agricultura familiar. Os convidados destacam que o investimento inicial é acessível, que o método é versátil e que pode ser adotado em diferentes escalas, do pequeno produtor à produção comercial. Também ressaltam a importância do planejamento e da habilidade de comercialização para o sucesso da atividade.

A regeneração ambiental ganha espaço no bate-papo. A área da Pronobis, antes degradada pelo plantio de cebola e batata em monocultura com agrotóxicos, hoje abriga diversidade de plantas, aves e um solo mais vivo. A propriedade funciona como um "laboratório vivo", que recebe cursos, vivências e visitas de escolas. A agrofloresta, lembram os convidados, é reconhecida pela FAO como inovação agrícola.

O programa ainda toca em um tema que também mobiliza a Comissão de Agricultura e as frentes parlamentares da Assembleia Legislativa: a sucessão familiar no campo. Os entrevistados comentam o que afasta e o que atrai os jovens da atividade rural e defendem a importância de exemplos que mostrem que é possível produzir com retorno financeiro, criatividade e respeito à natureza.

Para conferir a entrevista na íntegra, clique aqui .

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