
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, esteve presente no início das obras de requalificação do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, nesta terça-feira (29/9). A Prefeitura do Rio realizará intervenções de reforma na Feira de São Cristóvão para garantir mais conforto e qualidade para comerciantes e visitantes do espaço cultural e de tradições do Nordeste no Rio.
— Hoje é o primeiro passo, é a pedra fundamental. Mas, ao longo da construção dessa nova Feira de São Cristóvão, a mudança mais profunda não vai ser feita de concreto e nem de aço. Vai ser feita na governança. A Prefeitura do Rio vai entregar, nas mãos de cada um dos comerciantes, artistas, feirantes, o poder sobre as suas próprias vidas, que é o que eles mais desejam aqui —, afirmou o prefeito Eduardo Cavaliere.
Citando o cineasta pernambucano Jonathas de Andrade, autor do documentário “O Levante”, Cavaliere afirmou que a Feira de São Cristóvão “precisa de um despertar”:
— Nós vamos liderar um levante na Feira de São Cristóvão, um despertar. Aos poucos, a gente vai abrindo os corredores, tirando aquilo que deve ficar no passado e abrindo as portas para futuro da Feira de São Cristóvão.
Com o projeto desenvolvido pela Empresa Municipal de Urbanização – Rio-Urbe, as obras serão realizadas pela Secretaria Municipal de Infraestrutura com investimento de R$ 10,7 milhões. As intervenções abrangem serviços de reforma na estrutura das paredes e lajes do pavilhão, além de impermeabilização, pintura e implantação de sistema de para-raio.
A fachada e o letreiro serão recuperados, assim como haverá a reforma dos banheiros com acessibilidade e do espaço administrativo. O projeto inclui ainda melhorias nas redes do sistema de esgoto e no depósito de lixo, garantindo a gestão de resíduos sólidos.
— É o início de uma grande revitalização nesse espaço importante para o desenvolvimento econômico, e que gera cultura e riqueza para a cidade. Vamos começar fazendo uma recuperação estrutural no entorno dessa estrutura antiga. Vamos fazer a recuperação dos sanitários, da questão de acessibilidade, da rede de esgoto e drenagem —, explicou o secretário municipal de Infraestrutura, Wanderson Santos.
O Pavilhão de São Cristóvão é um bem tombado por sua importância histórica, turística e cultural, e abrange uma área de mais de 31 mil metros quadrados. A Feira de São Cristóvão tornou-se referência na representação da cultura nordestina na cidade e ponto turístico que atrai visitantes o ano inteiro.
O secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, destacou a importância da feira para a cidade:
— Hoje é o dia de início de obras que celebram a tradição, a memória e futuro desse lugar importante onde pulsa tanta cultura, que celebra o nordeste plural, os vários estados, os vários gêneros musicais, gastronomia, teatro, karaokê, um lugar onde tudo acontece.
Gestor da Feira de São Cristóvão, Pedro Porto destacou o potencial econômico do espaço.
— A Feira de São Cristóvão, um projeto que nasceu orgânico, autônomo, do povo do nordestino, é celebrada nesses 81 anos com a reconfiguração e o resgate desse equipamento. Esse lugar tem um potencial enorme de ser um espaço de economia criativa, um espaço para a comunidade nordestina matar a saudade de casa. O cuidado da Feira de São Cristóvão impacta diretamente em mobilidade urbana, segurança pública, cultura e cidadania, para o bairro de São Cristóvão e para a cidade do Rio de Janeiro —, disse Porto.
Projeto revolucionário
Marco da arquitetura moderna brasileira, projetado por Sergio Bernardes, o Pavilhão de São Cristóvão foi inaugurado em 1962, e concebido para abrigar a Exposição Internacional de Indústria e Comércio durante o Governo Juscelino Kubitschek. Em 2003, o espaço passou a receber a feira nordestina, que funcionava do lado de fora do pavilhão, no estacionamento em volta do Campo de São Cristóvão.
Elisabeth Oliveira, dona da barraca Xique-xique e viúva de Agamenom de Almeida, líder histórico dos barraqueiros, estava exultante:
— É lindo estar vivendo isso aqui hoje. A união é tudo. A estrutura hoje está muito danificada e a obra vai melhorar para todo mundo. Todos os feirantes e todo o público vão ganhar com a melhoria. A Feira é um patrimônio cultural e quero agradecer à Prefeitura do Rio de Janeiro que abraçou, nos acolheu e ajudou. Além de agradecer às pessoas do passado que trabalharam muito e foram incansáveis.