
Esta quarta-feira, 30, foi de muito trabalho e também de celebração na Comunidade Indígena Truaru da Cabeceira. As famílias envolvidas no Projeto Moro-Morí, idealizado pela Prefeitura de Boa Vista, participaram da despesca no tanque do local, momento que marca mais um ciclo de criação e retirada de peixes.
Foram retiradas mais de duas toneladas de peixe, pesando em média 2,7 quilos. Para as famílias que acompanharam o processo de desenvolvimento, a despesca representa o resultado de meses de cuidado, aprendizado e fortalecimento da comunidade.

O prefeito Marcelo Zeitoune acompanhou a despesca na Truaru da Cabeceira, onde o projeto iniciou com 740 alevinos, há cerca de 11 meses, e já rendeu mais de duas toneladas de tambaqui. Toda a comunidade participou da ação.
“A iniciativa visa fortalecer a agricultura familiar e a segurança alimentar das comunidades indígenas, com o compromisso da gestão municipal de manter, ampliar e apoiar os produtores diante dos desafios climáticos e da estiagem”, destacou o prefeito, que foi recebido no local pelos alunos da Escola Indígena Vicente André da Silva.

O 2º Tuxaua da comunidade, Kennedy Ângelo Amandes, de 39, destacou que essa primeira despesca, que abrange o projeto de piscicultura local, é um marco de grande importância para as famílias envolvidas.
“Essa é uma iniciativa muito boa. Estamos gratos por esse momento. Os membros da comunidade trabalham juntos nesse projeto, que nos ajuda bastante, garantindo a sustento das nossas famílias e também de outras comunidades. É um incentivo muito bom da prefeitura e nossa ideia é continuar”, disse.

Parte dos peixes será destinada ao consumo das famílias da comunidade. Outra será comercializada, criando uma possibilidade de geração de renda a partir da própria produção.
É nessa combinação entre alimento e renda que o projeto ganha um significado que vai além da criação de peixes. O tanque passa a fazer parte da rotina das comunidades e, ao final de cada ciclo, o resultado retorna para as próprias famílias.

Do tanque para a mesa
A despesca é a última etapa de um processo que começa meses antes. Durante o ciclo de produção, as famílias recebem acompanhamento e participam de atividades relacionadas ao manejo dos peixes.
O trabalho inclui a preparação dos tanques, tratamento da água, acompanhamento do desenvolvimento dos animais, biometria mensal, assistência técnica e capacitação.
“Esse é um trabalho que foi desenvolvido, justamente, para melhorar a qualidade nutricional da alimentação das famílias das comunidades. Parte desses peixes serão consumidos e o restante será vendido para reinvestimento. Desde o início, a prefeitura presta assistência, com escavação do tanque e fornecimento dos materiais necessários para a condução da atividade”, destacou o secretário municipal de agricultura e assuntos indígenas, Cezar Rivas.

Para quem acompanha o projeto de perto, cada despesca funciona também como uma prestação de contas do trabalho desenvolvido ao longo dos meses: o peixe cresceu, as famílias aprenderam novas técnicas e a produção agora chega à mesa ou ao mercado.
Moro-Morí já produziu cerca de 16 toneladas
Implantado em 2023 pela Prefeitura de Boa Vista, o projeto de Piscicultura Moro-Morí atende 16 das 17 comunidades indígenas do município. Ilha, Serra da Moça, Darôra, Campo Alegre, Vista Alegre e Lago Grande já concluíram seus processos de despesca, o que já resultou na produção de cerca de 16 toneladas de peixes.

Na prática, os números representam diferentes histórias de famílias que passaram a acompanhar mais de perto uma atividade produtiva dentro das próprias comunidades.