
Envelhecer com autonomia, participar da comunidade, cuidar da saúde, aprender coisas novas e ter os direitos respeitados. Em João Pessoa, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania (Sedhuc), mantém uma rede de serviços que busca acompanhar a pessoa idosa em diferentes dimensões da vida, fortalecendo vínculos, prevenindo situações de vulnerabilidade e promovendo cidadania.
“A Prefeitura de João Pessoa tem trabalhado para fortalecer, de forma integrada, as políticas públicas voltadas à pessoa idosa. A atenção a esse público envolve uma rede de serviços que contempla a convivência, a assistência social, a inclusão digital, o acesso a benefícios e a prevenção de situações de risco e de violações de direitos. Nosso compromisso é garantir que as pessoas idosas tenham seus direitos assegurados, com acesso às políticas públicas e aos serviços necessários para uma vida com dignidade”, ressaltou Késsia Liliana Bezerra, secretária de Direitos Humanos e Cidadania.


A rede de proteção começa nos territórios. Os Centros de Referência da Assistência Social (Cras) são a porta de entrada da Proteção Social Básica do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e desenvolvem ações de acolhimento, convivência e socialização para indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade.
Dentro dessa política está o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos para a Pessoa Idosa, que trabalha a prevenção de situações de risco social, o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, além da autonomia. As atividades podem envolver experiências artísticas, culturais, esportivas e de lazer, sempre valorizando a participação das pessoas idosas.


Para quem participa, os encontros podem representar muito mais do que uma atividade na agenda. Josinete Guerra, de 63 anos, conta que conheceu o serviço ao procurar atendimento para atualizar o Bolsa Família. Desde então, passou a fazer parte das atividades e encontrou no grupo um espaço de acolhimento e convivência. “Foi a melhor coisa que o Cras fez: fazer esse grupo de idosos. A gente parece criança novamente, brinca, ri, conversa e às vezes desabafa. Todos são muito acolhedores”, contou.
Josinete Guerra também destaca a atenção recebida pelos profissionais e as atividades realizadas fora do equipamento. “A gente tem toda a atenção que precisa. Agora em outubro, por exemplo, vamos sair para fazer exames citológicos e mamografia. É um serviço muito bom”, relatou.


A experiência mostra como o Serviço de Convivência pode atuar para além da oferta de atividades. Os encontros criam oportunidades para estabelecer novas relações, compartilhar experiências e manter uma rotina de participação social, fortalecendo os vínculos comunitários e contribuindo para um envelhecimento mais ativo.
Garantia de direitos – Outro serviço importante é a Carteira da Pessoa Idosa, destinada ao público de baixa renda e que garante o acesso à gratuidade ou ao desconto nas passagens de ônibus para viagens interestaduais, conforme os critérios previstos na legislação.A carteira é emitida pelo Governo Federal e a Sedhuc realiza esse atendimento presencialmente nos onze Centros de Referência da Assistência Social (Cras) e na sede do CadÚnico, no Centro da Capital.


Um espaço para continuar aprendendo – A política de atenção à pessoa idosa também passa pela inclusão digital. Em 2026, a Sedhuc certificou cerca de 246 participantes do curso ‘Digital para Todos’, promovido pelo Programa Acessuas Trabalho, em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e o Instituto IEC Brasil. A iniciativa contempla os idosos cadastrados no Cras e ensina desde funções básicas dos celulares até o uso de aplicativos de comunicação, bancos e redes sociais.
Além de aproximar os idosos da tecnologia, as atividades desenvolvidas têm como objetivo ampliar a segurança e promover a autonomia. Como conta a Nair Pereira, de 65 anos. “Eu estou amando o curso. Eu não sabia quase nada e, hoje, já aprendi a mexer em várias coisas, inclusive aplicativos de carro, enviar um pix e até mexer nas funções do próprio celular, que eu nem sabia que existiam. Não fico mais dependendo dos meus filhos”, comentou.
Segundo ela, além da saúde física, a vivência dentro do serviço também estimula a saúde mental. “O Serviço de Convivência também é muito importante. Quando a gente chega a uma certa idade, às vezes, acaba querendo ficar mais em casa. Mas ter um espaço como esse, onde somos recebidos e acolhidos com tanto carinho todas as quartas-feiras, faz toda a diferença. Quando cheguei ao Cras, eu estava muito deprimida. Hoje, posso dizer que sou uma nova pessoa. É muito gratificante estar aqui, conviver com outras pessoas e ser tão bem acolhida. Só tenho a agradecer a toda a equipe do Cras por tudo”, ressaltou Nair.
Envelhecimento ativo – O Centro de Referência Municipal da Pessoa Idosa (CRMPI), localizado no Altiplano, é voltado para pessoas com 60 anos ou mais e oferece gratuitamente uma programação que estimula o envelhecimento ativo e saudável. Entre as atividades estão alongamento funcional, aeróbica dançante, oficina da memória, câmbio – modalidade adaptada do vôlei, ginástica gerontológica, hidroginástica, dança, dinâmicas de grupo, artesanato, informática e práticas integrativas, além de atividades culturais como coral e teatro.
O equipamento funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 7h às 17h, e atualmente conta com 652 pessoas idosas matriculadas. Apesar de estar localizado no Altiplano, o Centro recebe participantes de diferentes regiões de João Pessoa e da Grande João Pessoa, de diferentes perfis sociais.
Mais do que um espaço para a prática de atividades físicas, o Centro de Referência Municipal da Pessoa Idosa se tornou também um ambiente de convivência e fortalecimento de vínculos. Para o gestor do equipamento, Tarcísio Farias, a importância do serviço vai além das oficinas oferecidas. Segundo ele, a convivência é um dos principais diferenciais do espaço, que acaba se tornando uma extensão da rotina dos participantes. “Muito mais do que as oficinas, o que existe aqui é a interação deles. É como se fosse uma extensão da casa deles. Eles gostam de estar aqui, ampliam o ciclo de amizade e participam também dos eventos, festas e comemorações”, destacou Tarcísio Farias.
A programação busca, dessa forma, estimular não apenas a saúde física e mental, mas também a autonomia, a socialização e a participação dos idosos. Ao longo do ano, o equipamento promove atividades de integração e celebrações que fortalecem os vínculos entre os participantes e contribuem para que o envelhecimento seja vivido de forma mais ativa e participativa.
Situação de vulnerabilidade – Para pessoas idosas que se encontram em situação de rua, abandono, vulnerabilidade ou risco social, a Prefeitura, por meio da Sedhuc, mantém a Casade Passagem do Idoso, serviço de acolhimento provisório que funciona em regime integral e tem capacidade para atender até 20 pessoas.
O equipamento oferece abrigo, alimentação, assistência psicossocial, apoio integral à saúde e acompanhamento para garantia de direitos. O atendimento é realizado por uma equipe multidisciplinar, que também atua nos encaminhamentos sociais e na articulação com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e outros órgãos da rede de proteção.
Os idosos chegam à Casa de Passagem por meio de encaminhamentos realizados pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), Ministério Público e Serviço Especializado de Abordagem Social (Ruartes). Além do acolhimento, o serviço atua na superação de dificuldades relacionadas à documentação e ao acesso a direitos. A equipe auxilia na regularização de benefícios, solicitação de auxílios e resolução de questões burocráticas, inclusive em situações envolvendo empréstimos contraídos de forma indevida por terceiros.
Edmilson José Farias, que está há cerca de dois meses na Casa de Passagem do Idoso, também encontrou no acolhimento um período de cuidado enquanto aguarda a liberação de benefícios que vão ajudá-lo a retomar a vida fora da instituição. Durante esse período, ele conta que recebeu acompanhamento e assistência. “É bom porque eles direcionam a gente para resolver as coisas, os benefícios e outras necessidades. Aqui sou bem recebido, tenho alimentação, tenho a convivência com as outras pessoas, e tratamento dentário. É tranquilo”, relatou.
A expectativa de Edmilson é que, com a regularização do benefício, possa deixar a unidade e voltar a ter seu próprio espaço. “Quero resolver tudo e ir embora para o meu canto, ficar quieto e seguir minha vida. A gente fica na Casa porque precisa, para resolver as coisas, e depois quer sair de boa”, afirmou.
A política de proteção também é fortalecida por meio de parcerias com cinco instituições de longa permanência para pessoas idosas de João Pessoa: Casa da Divina Misericórdia, Nosso Lar, Vila Vicentina, Lar da Providência e Associação Promocional do Ancião Dr. João Meira de Menezes (Aspan). Por meio de convênios, a Prefeitura disponibiliza profissionais para reforçar as equipes dessas instituições, ampliando a rede de cuidado e proteção destinada à população idosa em situação de vulnerabilidade.
Proteção diante de violações de direitos – A Prefeitura mantém o Disque Denúncia de Violação de Direitos para receber e encaminhar denúncias de diferentes formas de violação. O canal municipal funciona pelo telefone 3213-6130, além do Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos.
Para Cristiane Cabral, coordenadora da assistência social da Média complexidade da Sedhuc, garantir que a pessoa idosa tenha seus direitos respeitados exige uma atuação que considere não apenas a situação de vulnerabilidade, mas também a história, os vínculos e as escolhas de cada indivíduo. “O Creas tem o papel de entender o contexto familiar para fortalecer esse convívio e a proteção do idoso. A gente acompanha, tenta sanar as possibilidades de violação e fortalecer os vínculos familiares”, explicou.
Atenção para quem está em situação de rua – A Rede Municipal também desenvolve ações específicas para pessoas idosas que vivem em situação de rua. Nesse atendimento, estão envolvidos o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP) e o Programa Ruartes, que realiza abordagens nos espaços públicos do município e identifica pessoas que necessitam de acompanhamento.
No Centro POP, a pessoa idosa pode ter acesso a serviços relacionados à segurança alimentar, higiene, documentação e cidadania, além de encaminhamentos para a rede de saúde e para benefícios e programas sociais. A equipe também pode atuar na reconstrução de vínculos familiares e comunitários e em processos de retorno para outro município ou estado, quando essa for uma alternativa adequada e houver o desejo da pessoa atendida.
Já o Ruartes realiza a abordagem diretamente nas ruas, identificando as demandas e realizando os encaminhamentos necessários para a rede socioassistencial e de saúde. Quando uma pessoa idosa em situação de rua manifesta interesse pelo acolhimento institucional, a rede pode realizar o encaminhamento para serviços como a Casa de Passagem do Idoso.
“Dessa forma, a política de assistência social atua em diferentes momentos: na prevenção de situações de risco, no acompanhamento de violações, no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários e, quando necessário, na oferta de acolhimento e proteção especializada”, ressaltou Cristiane.
Direito à participação – A política municipal voltada à pessoa idosa também passa pelo fortalecimento da participação social e pela defesa de direitos. O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa atua como espaço de diálogo entre poder público e sociedade civil, acompanhando e fiscalizando ações e contribuindo para a construção de políticas públicas voltadas ao envelhecimento digno, ativo e saudável.
A Prefeitura também mantém iniciativas de apoio a projetos destinados à população idosa por meio do Fundo Municipal da Pessoa Idosa. Em 2026, a campanha ‘Declare Solidariedade’ destacou a possibilidade de destinação de parte do Imposto de Renda para fundos municipais, contribuindo para o financiamento de ações de proteção e promoção de direitos.
Para quem já passou dos 60, envelhecer também pode significar começar uma nova atividade, aprender a usar o celular, fazer novas amizades, participar de um grupo, viajar, exercer sua cidadania e, principalmente, continuar tendo seus direitos reconhecidos e respeitados.
É nessa perspectiva que a Prefeitura de João Pessoa, por meio da Sedhuc e em articulação com outras políticas públicas, busca fortalecer uma rede de cuidado e proteção para que a longevidade seja acompanhada de autonomia e dignidade.