
O deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) fez, durante a sessão desta terça-feira (6), uma avaliação do resultado das eleições e relacionou o elevado número de parlamentares reeleitos ao funcionamento e à autonomia conquistada pela Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). Reeleito para exercer o sexto mandato na Casa, o parlamentar também defendeu mudanças no sistema eleitoral brasileiro, maior participação feminina nos espaços legislativos e chamou atenção para desafios que, em sua avaliação, deverão ser enfrentados pelo próximo governo estadual.
Ao comentar sua trajetória, Edvaldo falou sobre as diferenças entre disputar eleições integrando a base governista e estando na oposição. “Eu vou ter o prazer de assumir pela sexta vez um mandato aqui nesta Casa. Eu sei o que é disputar eleição sendo governo. E experimentei, nessas duas últimas eleições, disputar no terreno árido da oposição”, afirmou.
O parlamentar avaliou que a atuação institucional da Aleac ao longo da atual legislatura contribuiu para o resultado obtido por seus integrantes nas urnas. Para ele, produtividade, debates e independência no exercício dos mandatos influenciam a percepção da sociedade sobre o Poder Legislativo. “É fruto também de uma Casa que funcionou. Porque, quando você desmoraliza o funcionamento da Casa, todo mundo leva pancada, todo mundo paga a conta e o nível de renovação é muito grande”, declarou.
Edvaldo acrescentou que a autonomia parlamentar também permitiu maior independência na atuação dos deputados. “A autonomia que nós ganhamos no exercício dos nossos mandatos permitiu também que a gente pudesse andar com as próprias pernas e não depender do outro lado da rua, por exemplo”, pontuou.
Durante o pronunciamento, o deputado cumprimentou os parlamentares que conquistaram novos mandatos e mencionou aqueles que não estarão na próxima composição da Aleac. Ele lamentou, em especial, a ausência de mulheres eleitas para a próxima legislatura e citou as deputadas Michelle Melo, Antonia Sales e Maria Antônia ao tratar da representação feminina na política.
Edvaldo defendeu uma reforma no sistema político-eleitoral brasileiro e afirmou que o modelo atual apresenta dificuldades para candidaturas estruturadas principalmente em torno de ideias, princípios e bandeiras políticas. O parlamentar também fez críticas ao funcionamento do financiamento público das campanhas.
“O Brasil vai precisar fazer uma reforma eleitoral profunda. É impossível, nesse formato, permanecer. As eleições viraram grandes negócios. Sobreviver defendendo uma bandeira, algumas ideias e alguns princípios é muito difícil”, avaliou.
Segundo o deputado, uma eventual reforma também deve criar mecanismos capazes de ampliar efetivamente a presença das mulheres nos parlamentos. “Uma reforma política avançada também tem que garantir a presença da representatividade das mulheres. Tem que ter vaga cativa”, defendeu.
Para Edvaldo, a ausência de deputadas eleitas diretamente para a próxima legislatura representa um aspecto negativo do resultado eleitoral. “Acho que fica essa marca ruim do resultado eleitoral de a gente não ter aqui nenhuma mulher eleita diretamente”, lamentou.
O parlamentar também parabenizou o presidente da Aleac, Nicolau Júnior (União PP), por alcançar, pela segunda eleição consecutiva, a maior votação entre os candidatos a deputado estadual. “Não é fácil ser o mais votado duas vezes. A primeira vez vai, mas manter isso aí é muito difícil”, disse.
Na parte final do pronunciamento, Edvaldo tratou do segundo turno das eleições estaduais e criticou o que classificou como uma tentativa de concentrar o debate eleitoral em disputas ideológicas. Por se tratar de manifestação relacionada ao pleito ainda em andamento, o deputado afirmou que seu posicionamento será discutido fora do ambiente institucional da Assembleia.
Na tribuna, ele concentrou a avaliação nos desafios fiscais que, segundo sua análise, deverão ser enfrentados pelo próximo governo, com atenção especial à situação da Previdência estadual. “O Acre tem problemas mais sérios para serem discutidos do que uma disputa ideológica que alguns querem estabelecer nessas eleições de segundo turno. Tem problemas muito mais graves para serem discutidos, que não estão sendo debatidos nas eleições”, afirmou.
Edvaldo advertiu que as condições financeiras do Estado exigirão diálogo e medidas estruturantes nos próximos anos. Na avaliação do parlamentar, o futuro governo precisará construir uma ampla articulação para enfrentar os problemas fiscais e assegurar a sustentabilidade da Previdência pública.
Texto: Andressa Oliveira
Foto: Sérgio Vale