A Bolsa disparou e o dólar caiu após Flávio Bolsonaro aparecer à frente de Lula no primeiro turno. O mercado aposta em mudanças nas contas públicas, mas especialistas alertam que a euforia pode azedar rapidamente sem medidas concretas.
Os reflexos do primeiro turno apareceram imediatamente no mercado financeiro: o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, disparou mais de 7%, superou os 206 mil pontos e atingiu recorde na primeira sessão após a apuração das urnas. O dólar, por sua vez, recuou mais de 4%, para R$ 5,00.
Flávio encerrou o primeiro turno com 47,03% dos votos, contra os 45,16% de Lula. A distância entre os dois foi de cerca de 2,2 milhões de votos, em um resultado que surpreendeu quem acompanhava as pesquisas de intenção de voto.
Os números reforçaram a seguinte leitura de grande parte do mercado financeiro: a de que aumentaram as chances de eleição de um governo que teria, em tese, maior compromisso com o equilíbrio das contas públicas.
Muitos economistas, porém, veem com cautela a perspectiva fiscal de um eventual governo Flávio Bolsonaro. Isso porque, até o momento, a campanha do candidato não apresentou medidas concretas nessa direção. Na prática, uma frustração nesse sentido pode azedar o humor do mercado.