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Nascido no Japão, ex-aluno de escola de Guarulhos retorna à rede pública como professor e vence prêmio estadual por desempenho

Criado no Brasil desde os 7 anos de idade, Renan Okado dá aulas na mesma escola onde estudou; ele é um dos professores Nota 1.000 do estado

Redação
Por: Redação Fonte: Secom SP
08/10/2026 às 18h58
Nascido no Japão, ex-aluno de escola de Guarulhos retorna à rede pública como professor e vence prêmio estadual por desempenho
O professor Renan é um dos 353 profissionais da capital e RMSP homenageados no evento. - Foto; Divulgação/Governo de São Paulo

Aprovado no concurso para professores promovido em 2023 pela Secretaria da Educação , Renan Hideki Pereira Okado, de 24 anos de idade, não é exatamente um novato na Escola Estadual Tomie Ohtake. Nascido em Toyota, no Japão, e criado no Brasil desde os 7 anos de idade, Renan foi aluno da instituição quando ainda se chamava Parque Continental Gleba I, nome do bairro onde está instalada, na cidade de Guarulhos. Nesta semana, ele esteve entre os professores homenageados pelo secretário da Educação, Renato Feder, no inédito Prêmio Professor Nota 1.000.

Ainda aluno da unidade, foi ele um dos alunos a votar pelo novo nome da escola. Em 2018, participou da escolha da artista nipo-brasileira, com a qual se identifica, como patronesse da escola: “Votei na Tomie Ohtake, entre as personalidades que concorriam. Nascido no Japão assim como ela, me senti bastante representado”, diz Renan, que acaba de ser reconhecido como um dos mil professores Nota 1.000 em premiação recém-criada pela Seduc-SP para homenagear os docentes da rede estadual que se destacam por fatores como frequência, resultados nas avaliações e desempenho dos alunos.

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Assim como Renan, a Educação de SP tem, hoje, 220 docentes estrangeiros atuando nas escolas da rede estadual paulista. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo
Assim como Renan, a Educação de SP tem, hoje, 220 docentes estrangeiros atuando nas escolas da rede estadual paulista. Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

A mudança no nome da escola contou com votos de estudantes, professores e funcionários. Renan havia acabado de retornar ao posto de aluno, depois de uma temporada de estudo de mecatrônica no câmpus de Guarulhos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) no início do Ensino Médio. Sem se identificar com o curso, voltou para casa, onde concluiria o Ensino Médio antes de cursar licenciatura em geografia no IFSP São Paulo — matéria que hoje ensina – além de artes e cultura japonesas, em eletivas do Programa Ensino Integral (PEI).

“Entrei na escola como aluno pela primeira vez em 2013, no 6° ano, quando ainda se chamava EE Parque Continental Gleba I, popularmente conhecido como ‘Glebão’. Sempre busquei participar de todos os eventos, como jogos interclasses, olimpíadas de jogos escolares e olimpíadas de conhecimento”, afirma o professor, que foi medalhista da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) em 2015 e três anos depois, ao retornar, vice-presidente do Grêmio Estudantil.

Dar aulas na rede pública é uma consequência dessa relação construída com a escola. “A opção pelo curso de licenciatura e pela rede pública vem do meu desejo de retribuir à comunidade tudo o que o ensino público me proporcionou. Trabalhar na escola em que estudei torna tudo ainda mais gratificante.”

Uma relação que se reflete no próprio relacionamento com os alunos. Muitos já contaram a Renan que pretendem lecionar, como ele, e a maioria pensa em ensinar geografia ou artes. Renan percebe e investe nessa afinidade. “Para tornar minhas aulas mais interessantes, tento aproveitar a identificação que os estudantes têm comigo e do fato de, assim como eles, ser morador do bairro, articulando sempre que possível as aulas com o cotidiano e a realidade deles”, conta.

Japão e Brasil

A profunda relação com a escola se reflete também na relação com os ex-professores, alguns ainda na ativa. No ano passado, a escola recebeu a visita de Ricardo Ohtake, filho da artista e fundador e diretor do Instituto Tomie Ohtake, com quem o colégio tem parceria desde 2019. Ricardo queria conhecer a instituição que leva o nome da mãe e, para isso, foram preparadas diversas apresentações. Renan falou da eletiva que ministrava na época, Banzai! Uma introdução à cultura japonesa.

“No dia que o Ricardo Ohtake veio aqui, eu fiz um discurso improvisado sobre a minha relação com a escola. Alguns dos que me ouviam haviam sido meus professores, e começaram a chorar. Foi emocionante para todos, inclusive para mim, mesmo que sem querer.”

Professor articulador por Área do Conhecimento (PAAC) da área de Ciências Humanas, Renan Okado dá aula de geografia para o 6º ano e, nas eletivas, procura desenvolver temas relacionados à cultura japonesa e às artes. Em “Banzai! Uma introdução à cultura japonesa”, se viam aspectos históricos e econômicos do Japão, a relação com o Brasil, e a turma fez uma visita ao Museu Histórico da Imigração Japonesa, na Liberdade.

Neste ano, sua proposta de eletiva também tem raiz no Japão. Neto de avós também japoneses, o professor nasceu no país asiático porque o pai, brasileiro, havia se mudado a trabalho. Em “Mottainai: Ateliê de arte japonesa com materiais reaproveitados”, aprende-se o conceito japonês do ‘mottainai’, ligado à redução do desperdício, a partir da elaboração de produtos artísticos com materiais reutilizados. A matéria contou com visita à Japan House, centro de cultura japonesa com exposições temporárias na avenida Paulista.

“Um terceiro projeto que estamos concluindo agora em outubro de 2026 é ‘Córrego (In)visível: Memórias, impactos e futuros possíveis no Parque Continental I’, no qual estamos estudando as transformações na paisagem e na relação dos moradores com o bairro a partir de um córrego que existia nas proximidades da escola e que foi aterrado em 2019 para construção de um empreendimento. Este projeto está vinculado à XXIII Semana de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)”, diz.

Professor Nota 1.000

Mil professores da rede estadual de ensino foram homenageados na última segunda-feira (5) no 1º Prêmio Professor Nota 1.000, criado neste ano pelo Governo de São Paulo para reconhecer os professores das escolas da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) a partir do desempenho de seus estudantes e da frequência em sala de aula. Essa é a etapa final do Prêmio Professor Nota 10, com 25 mil docentes celebrados em todas as regiões do estado.

O professor Renan é um dos 353 profissionais da capital e RMSP homenageados no evento.

Para chegar aos professores premiados, a Educação considerou as maiores pontuações na análise de critérios como frequência em sala de aula, avaliação de desempenho e notas dos alunos no Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), exame aplicado todos os anos pela Educação de SP para medir a qualidade do ensino básico. Dos 25 mil docentes reconhecidos no Professor Nota 10, os mil que mais bem pontuaram foram selecionados para o Professor Nota 1.000 e receberam uma medalha das mãos de Feder, no evento desta segunda.

As medalhas de Professor Nota 1.000 foram entregues no início da manhã. Em nível regional, as Unidades Regionais de Ensino têm promovido celebrações para festejar seus Professores Nota 10 com a entrega de troféus.

Valorização profissional

Além da premiação, os professores da rede são valorizados pela Educação de SP com o pagamento de bônus a partir dos resultados do Saresp. Neste ano, a pasta pagou R$ 1 bilhão em bônus a mais de 188 mil docentes, o maior valor da última década no reconhecimento aos profissionais da rede.

Ao longo da atual gestão, o Governo de São Paulo também implementou medidas de valorização dos docentes, como a retomada da prova de promoção no Quadro do Magistério, em 2024, após uma lacuna de sete anos. A aprovação no exame garante 10,5% de acréscimo no salário-base de professores e profissionais pedagógicos.

Nessa gestão, a Seduc-SP também reforçou o quadro docente com um concurso para 15 mil vagas, medida inédita em quase uma década — o professor Renan está entre os aprovados. Um novo concurso, para 5.000 vagas, já está autorizado e será organizado pela pasta nos próximos meses. As iniciativas reforçam o compromisso da atual gestão com o protagonismo dos professores como a base de ensino de qualidade e educação transformadora para todos.

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