
Enquanto trabalhadores de uma fazenda se esforçam para arrancar ervas daninhas após uma colheita fraca, crianças aguardam uma refeição em um centro do Programa Mundial de Alimentos, em Madagascar.
Essa região árida do sul do país africano sofre com a fome e está em alerta diante da iminente chegada do El Niño.
“Ultimamente, não tem chovido muito. Antes, nós costumávamos plantar durante a estação chuvosa. Quando chega o momento de começar a plantar, não chove. Somos obrigados a plantar numa época em que não deveríamos fazer isso, o que leva à deterioração das nossas colheitas e à baixa qualidade das sementes.”
De acordo com especialistas, o El Niño deste ano pode se tornar o mais intenso já registrado.
Mesmo antes dos impactos totais do fenômeno, esperado para os próximos meses, as pessoas no extremo sul de Madagascar já precisam lidar com a fome.
“Como agora já não chove muito, a agricultura está ficando cada vez mais difícil, mas temos que fazer muito esforço porque queremos comer. Somos obrigados a solicitar a perfuração de poços e ter acesso a bombas e geradores para conseguirmos nos virar. O acesso à água é difícil, mas precisamos fazer o máximo, porque a agricultura é toda a nossa vida.”
Ifotaka, uma cidade do interior com barracos de madeira e casas de chapa de zinco, foi o epicentro de um período de fome em Madagascar entre 2021 e 2022.
Cerca de 30 mil pessoas na região de solo arenoso e cactos espinhosos tiveram a vida ameaçada pela falta de alimentos.
Para ajudar no combate à desnutrição, o Programa Mundial de Alimentos da ONU realiza projetos no país africano, fornecendo refeições a crianças que não têm o que comer.
“É um centro que presta cuidados a crianças moderadamente desnutridas. Por isso, primeiro foi realizada uma triagem porta a porta, e as crianças identificadas com desnutrição aguda moderada são então acompanhadas no centro de saúde básico.”
A Organização Meteorológica Mundial alertou para um “aumento do risco de seca” no sul da África durante os meses de duração do El Niño, que começa em outubro.
Em Madagascar, os cortes na ajuda internacional e o aumento da inflação, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, também ampliam a ameaça de fome severa.