
A manhã desta quarta-feira, 14, foi de alegria, lembranças e reencontros no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Pintolândia. Integrantes do Projeto Cabelos de Prata receberam estudantes do 4º semestre do curso de Terapia Ocupacional da Universidade da Amazônia (UNAMA) para uma dinâmica repleta de brincadeiras e atividades que resgataram memórias afetivas.

A ação faz parte do projeto Vida Ativa, desenvolvido pelos próprios alunos da UNAMA, que escolheram o CRAS Pintolândia como campo de práticas. O encontro integra as atividades do Outubro Prata, campanha dedicada à valorização da pessoa idosa, ao enfrentamento da violência contra esse público e à promoção de reflexões e diálogos sobre a importância da proteção, do respeito e do cuidado com a pessoa idosa.

A estudante Lourenir Gonçalves contou que o projeto Vida Ativa nasceu do desejo de levar alegria e estimular o corpo e a mente dos participantes. A ideia partiu dos próprios alunos, como uma atividade complementar ao Cabelos de Prata.
“Trouxemos brincadeiras para que eles relembrassem o passado através do jogo da memória, atividades para trabalhar o corpo, o movimento e a mente. Foi uma oferta nossa, um complemento a esse projeto lindo que já é o Cabelos de Prata. A gente sabe que nessa fase da vida eles precisam disso. Todos nós precisamos”.
“Cabelos de Prata é vida!”
Aos 72 anos e há cinco no projeto, dona Clotilde Gonçalves conheceu o Cabelos de Prata em dezembro de 2020, durante a pandemia, quando as atividades ocorriam ao ar livre, na praça. Ela contou como foi esse começo e o que mudou em sua vida.
“Era a hora em que as pessoas começaram a sair de casa. Foi maravilhoso. As meninas do posto de saúde faziam visita e incentivavam a gente a ir. Quando eu comecei, tinha saído da pandemia e estava quase deprimida. Aí, quando comecei a fazer as atividades, senti que estava viva. É muito bom”.

Ela contou que participa de tudo e que o projeto transformou sua saúde e sua rotina. Mesmo com dores e limitações, encontrou no Cabelos de Prata um novo ânimo. “Eu tinha artrose, problema de nervos, de coluna, quase não me mexia. Agora faço tudo. É muito bom. Só aqui em Roraima tem isso. Estar aqui me incentivou a fazer um curso de espanhol. Meu filho instalou o aplicativo ‘Duolingo’ no meu celular e agora fico praticando”.
Há sete anos no Cabelos de Prata, dona Maria Raimunda, de 71 anos, chegou ao projeto por incentivo da filha, que conhecia uma das responsáveis. Aposentada desde 2012, ela conta que encontrou no grupo um novo sentido para os dias.
“Minha filha conheceu uma pessoa que trabalhava no Cabelos de Prata e pediu para eu ir. Eles foram lá em casa, fizeram uma visita, conversaram muito comigo. Aí eu entrei. É um projeto muito bom, que estimula o trabalho físico, a mente e a socialização”.

Sobre a atividade do dia, Maria Raimunda destacou o resgate de memórias afetivas e a alegria de participar. Ela conta que quase nunca falta e que o projeto se tornou parte essencial de sua vida.
“Essa atividade trouxe memórias afetivas. Ainda tenho aquela fita cassete guardada, o rádio, o fogão a lenha, coisas da minha infância. Gostei muito. Todas as atividades que eles fazem aqui são boas, alegres, interativas. Eu me sinto muito bem. É muito difícil eu faltar, porque ainda tenho possibilidade de me locomover, venho na minha motinha. O Cabelos de Prata é isso: vida”.

*Supervisionado por Shirleia Rios*