Uma camada de fumaça cobriu áreas da Amazônia brasileira nesta semana.
Segundo dados do sistema de monitoramento da região, os focos de incêndio cresceram 84% nas duas primeiras semanas de outubro em comparação com o mesmo período do ano passado.
No estado do Amazonas, o salto foi ainda maior: 253%, chegando a 1.679 ocorrências.
Os incêndios florestais avançaram pelo município de Autazes.
Para o geógrafo e pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, Carlos Durigan, o El Niño desempenha um papel central no problema.
"Nós vivenciamos uma situação semelhante em períodos de formação de El Niño anteriores, em 2015, 2016, 2023 e 2024, e agora está se repetindo um cenário muito parecido com a redução das chuvas em uma parte da Amazônia, e isso levando a esse estresse hídrico e térmico. Então, isso já gera potencial para a precipitação do fogo na região."
Durigan afirmou que o aquecimento global também contribui para agravar a situação.
"O próprio aquecimento global está gerando um cenário de anos cada vez mais quente, gerando um estresse térmico muito grande em boa parte da Amazônia."
Pelo menos 36 municípios do Amazonas estão em estado de emergência.
As queimadas também provocaram problemas de segurança nos moradores.
Em Manaus, a má qualidade do ar levou ao cancelamento de eventos ao ar livre e à suspensão das aulas em escolas públicas.
Segundo autoridades ambientais, os incêndios em áreas protegidas indicam possíveis ações criminosas.