
As marcas de um grande deslizamento de rochas ocorrido em setembro ainda são visíveis na face norte da Zugspitze, nos Alpes alemães.
Para os geólogos, o episódio não é um caso isolado. O recuo das geleiras e o degelo do permafrost, camada de solo e rocha que permanece congelada por longos períodos, estão alterando a estabilidade das montanhas.
Na estação científica Schneefernerhaus, abaixo do cume da Zugspitze, pesquisadores da Universidade Técnica de Munique acompanham há anos as mudanças no interior da montanha.
O geólogo Michael Krautblatter explica que a transformação é profunda.
“Em 1820, a primeira pessoa chegou ao topo da Zugspitze, Josef Naus, e disse que conseguiu subir da geleira até o cume sem uma elevação perceptível. Hoje, vemos que perdemos entre 200 e 300 metros de espessura glacial e, além do gelo visível, das geleiras, existe também o gelo invisível. Ele está nos depósitos de detritos e nas rochas. Observamos que, no passado, provavelmente havia permafrost na Zugspitze a partir dos 2.500 metros de altitude. Agora, a 2.800 metros, onde fica nosso túnel de pesquisa na crista da montanha, ainda teremos permafrost por cerca de dez anos. No cume, ele deve permanecer por mais 20 a 30 anos.”
Os cientistas também monitoram o monte Hochvogel, na região do Allgäu. Ali, o principal fator de instabilidade não é o permafrost, mas o aumento dos eventos de chuva intensa.
“E, a cada episódio de chuva intensa, o Hochvogel acelera para cinco ou seis vezes sua velocidade normal, o que significa que as fissuras se abrem mais rapidamente. Neste ano, registramos picos de 5 a 6 milímetros por semana. Isso é extremamente rápido, e a massa rochosa que deve desabar soma cerca de 400 mil metros cúbicos, provavelmente em vários eventos distintos.”
Segundo os pesquisadores, deslizamentos, corridas de lama e avalanches sempre fizeram parte dos Alpes. Mas a perda de gelo permanente e o aumento das chuvas extremas podem tornar esses fenômenos mais frequentes. Para eles, sistemas de alerta precoce serão fundamentais para reduzir riscos e monitorar áreas vulneráveis nas próximas décadas.