Milhares de pessoas tomaram as ruas de Buenos Aires na quinta-feira em uma nova mobilização contra as políticas de austeridade do presidente Javier Milei.
Imagens mostram uma multidão reunida nos arredores do Congresso, onde estudantes, professores e sindicalistas protestaram contra os cortes orçamentários nas universidades públicas e cobraram o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário.
A legislação foi aprovada pelo Congresso em agosto de 2025 e prevê reajustes salariais corrigidos pela inflação para professores, além de aumento nas bolsas estudantis.
Milei vetou a medida, mas o Parlamento derrubou o veto em outubro de 2025.
Segundo os manifestantes, o governo ainda não implementou integralmente o que determina a lei, apesar de decisões judiciais favoráveis às universidades.
A manifestação marcou a quinta marcha federal universitária desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023.
Atos semelhantes também ocorreram em cidades como Rosário e Córdoba.
A secretária-geral da Confederação de Trabalhadores de Educação da República Argentina, Sonia Alesso, afirmou que a mobilização defende a educação, a soberania e a democracia.
“Entendemos que um governo como o de Javier Milei, que não cumpre as leis votadas pelo Parlamento Nacional, que também não acata a Suprema Corte de Justiça da Nação, que já se pronunciou sobre a obrigação de cumprir a Lei de Financiamento da Educação e a Lei de Financiamento Universitário, nos coloca em uma situação muito grave. É um governo de extrema-direita que governa para as grandes corporações e contra o povo argentino.”
Representantes do setor afirmam que universidades enfrentam dificuldades para manter suas atividades e que os salários dos trabalhadores perderam poder de compra nos últimos anos.
Ao fim do ato, houve confrontos perto do Congresso.
Incitadores encapuzados arremessaram pedras e outros objetos contra policiais, que responderam com gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar a multidão.