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Alunos de colégio cívico-militar de Londrina desenvolvem repelente natural contra escorpiões
A pesquisa, iniciada em março deste ano, utiliza a arruda (Ruta graveolens) como princípio ativo vegetal para afastar os animais peçonhentos sem a...
19/10/2026 10h02
Por: Redação Fonte: Secom Paraná

Preocupados com o número de acidentes provocados por escorpiões no Paraná, três estudantes da Sala de Recursos de Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) do Colégio Estadual Cívico-Militar do Patrimônio Regina, em Londrina, no Norte, estão desenvolvendo um repelente natural, ecológico e de baixo custo. A pesquisa, iniciada em março deste ano, utiliza a arruda (Ruta graveolens) como princípio ativo vegetal para afastar os animais peçonhentos sem a necessidade de compostos químicos agressivos.

O projeto dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental surge em um contexto de atenção à presença de escorpiões no Paraná. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Estado registrou 8.472 acidentes com escorpiões em 2025. Desse total, 1.144 ocorrências foram nos municípios de abrangência da 17ª Regional de Saúde de Londrina.

Até setembro de 2026, o Paraná contabilizou 5.265 casos, sendo 678 registros na 17ª RS de Londrina. O aracnídeo, que habita em meio ao lixo, entulhos acumulados, roupas e sapatos, é mais ativo em períodos e locais quentes.

A proposta do repelente surgiu do interesse coletivo da equipe de jovens cientistas pelas áreas de ciências, matemática e tecnologia. O método de preparação foi desenhado para ser prático e reprodutível: folhas e ramos de arruda permanecem imersos em álcool 95% por dois a três dias para a extração dos bioativos. Na sequência, a solução é filtrada e armazenada em frascos borrifadores simples.

“A arruda é uma planta medicinal extremamente acessível. Nossas pesquisas mostraram que qualquer pessoa pode encontrá-la no próprio quintal ou em feiras, o que torna a produção barata e viável para quem mais precisa”, destaca o estudante Rodrigo Lorenzo Gomes da Silva, de 15 anos, integrante da equipe.

ADAPTAÇÃO E METODOLOGIA– Em fase inicial de execução, o projeto estabeleceu uma parceria científica com a Universidade Estadual de Londrina (UEL). Por questões de biossegurança dentro do ambiente escolar, o grupo ainda não realizou testes diretamente com escorpiões vivos.

Para validar o potencial de repelência de forma segura enquanto aguarda a liberação dos animais pela universidade, os alunos aplicaram o rigor científico e adaptaram a amostragem: recorreram a formigas, que pertencem ao mesmo filo biológico dos escorpiões (Arthropoda). “Quando soubemos da impossibilidade temporária de receber os escorpiões, buscamos uma espécie correlata e de fácil acesso. Como ambos são artrópodes, as formigas foram selecionadas para a triagem primária”, explica o estudante Jean Lucas Silva de Camargo, também de 15 anos.

Nos ensaios laboratoriais feitos até o momento, a resposta foi imediata. As formigas evitaram categoricamente a área tratada com a fórmula em ambas as rodadas de testes. “Foi muito gratificante ver o resultado prático. Na hora em que aplicamos a solução e vimos as formigas se afastando, tivemos a certeza de que a rota escolhida tem potencial”, diz Rodrigo.

FOCO SOCIAL E PRÓXIMOS PASSOS– A meta do projeto não é a comercialização, mas a transferência de conhecimento. A equipe planeja ensinar a fórmula diretamente a adultos e chefes de família de bairros vulneráveis, onde o risco de contato com escorpiões costuma ser maior devido a entulhos e condições habitacionais.

Nas próximas fases da pesquisa, o grupo conduzirá testes controlados de repelência com escorpiões nos laboratórios da UEL, para determinar fatores como a padronização das concentrações mínimas eficazes da solução, a medição de raio de cobertura e do tempo de permanência da substância e a avaliação de hipoalergenicidade e segurança do produto para humanos e animais domésticos.

DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA– O trabalho foi apresentado recentemente na Feira Nacional de Altas Habilidades/Superdotação (FENAAH/S), organizada pela Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) em Foz do Iguaçu, no Oeste. A apresentação do projeto para visitantes de todo o Paraná consolidou o aprendizado prático dos estudantes sobre método científico, botânica e controle biológico.

“A participação em feiras como a FENAAH/S é indispensável. É um espaço onde os estudantes trocam experiências com seus pares, aprendem com avaliadores especializados e comprovam que a pesquisa escolar da rede pública produz respostas reais para desafios da comunidade”, afirma a professora de Biologia e orientadora do projeto, Natália Cenedesi Vicentim Bom.

A FENAAH/S é a maior feira científica voltada para estudantes com indicação de Altas Habilidades e Superdotação da rede pública do Paraná.

PREVENÇÃO– Para reduzir o risco de acidentes com escorpiões e outros animais peçonhentos, a orientação é que a população adote uma série de medidas preventivas no ambiente doméstico e em áreas externas:

- Não acumular entulhos, lixo, madeiras, telhas e materiais em desuso em quintais e terrenos

- Manter ralos internos e externos fechados ou protegidos com telas

- Vedar frestas em paredes, rodapés, portas e janelas

- Inspecionar e fechar aberturas em tubulações elétricas e hidráulicas

- Utilizar luvas e calçados fechados ao manusear materiais de construção, lenha ou ao fazer limpeza de áreas externas

- Sacudir roupas, calçados e roupas de cama antes de usar

Em caso de acidente, a orientação é procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima. Sempre que possível, levar o animal envolvido no acidente ou fotografar para auxiliar na identificação.

Para esclarecer dúvidas e rebecer orientações, o contato com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) pode ser feito pelos seguintes telefones:

CIATox Paraná: 08000 410148

CIATox Londrina: (43) 3371-2244

CIATox Maringá: (44) 3011-9127

CIATox Cascavel: (45) 3321-5261