
Os incêndios florestais que atingem as ilhas de Bornéu e Sumatra desde julho não representam apenas um risco à saúde das comunidades locais. As chamas também estão destruindo o habitat dos orangotangos, espécie ameaçada de extinção.
Em Bornéu, o centro de reabilitação YIARI vem recebendo um número crescente de animais retirados de áreas afetadas pelos incêndios. Segundo a fundação, 49 orangotangos foram resgatados desde agosto. Com isso, o centro agora cuida de 90 animais.
As equipes de resgate usam drones para identificar áreas atingidas e localizar animais isolados em florestas queimadas ou em plantações.
Reli Susanto, integrante da equipe de busca, descreve a situação:
"Agora é a estação seca e há incêndios em muitas áreas. Os orangotangos estão sendo deslocados para plantações. Recebemos muitos relatos durante esse período. Nossa equipe atua em quase dez vilarejos e, até agora, evacuamos orangotangos de quatro deles, onde estavam isolados em áreas de plantação."
Embora a organização ainda tenha capacidade para receber mais animais, o avanço dos incêndios levanta dúvidas sobre quanto tempo conseguirá lidar com a quantidade de resgates.
A veterinária do YIARI, Isma Maula, alerta para os riscos enfrentados pelos animais:
“As doenças respiratórias são a ameaça mais imediata para os orangotangos. Também estamos preocupados com os riscos aos quais eles ficam expostos quando são levados para os recintos de reabilitação. As instalações já estão superlotadas, o que causa estresse e aumenta o risco de transmissão de doenças e de infestações por parasitas. A superlotação é um grande problema para nós, e estamos trabalhando para reduzir esses riscos o máximo possível.”
A fumaça dos incêndios encobriu grandes áreas de Bornéu e também provocou problemas de saúde em países vizinhos. Entre janeiro e julho, cerca de 202 mil hectares foram queimados na Indonésia. Organizações não governamentais estimam que uma área que supera quatro vezes a cidade do Rio de Janeiro possa ter sido afetada desde então.