Economia Economia
Bahia espera 180 mil turistas na temporada de cruzeiros
Com 48 navios previstos até abril de 2027, Felipe Oliveira Pedreira, CEO da Bahia Terra Turismo, analisa a demanda por traslados, o tempo curto dos passageiros em terra e a integração entre transporte e serviços turísticos
20/10/2026 13h21
Por: mc Fonte: Agência Dino

A Bahia abriu, em 7 de outubro de 2026, a Temporada de Cruzeiros Marítimos 2026/2027, com expectativa de receber cerca de 180 mil turistas até abril de 2027. Segundo o Governo da Bahia, 48 embarcações devem passar pelo estado no período, sendo 46 com atracação em Salvador e duas em Ilhéus. A Secretaria de Turismo (Setur) estima que a movimentação injete R$ 144 milhões na economia baiana.

A recepção de passageiros e tripulantes é coordenada pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) e pela Setur, em parceria com a Contermas, responsável pelo Terminal de Passageiros do Porto de Salvador. Para Felipe Oliveira Pedreira, CEO da Bahia Terra Turismo, o período amplia a visibilidade do estado. "A expectativa é que a temporada de cruzeiros continue contribuindo para fortalecer a imagem da Bahia como um dos principais destinos turísticos do Brasil. A chegada dos navios representa uma oportunidade de apresentar nossas belezas naturais, nossa cultura, nossa gastronomia e a hospitalidade do povo baiano a visitantes de diferentes regiões do Brasil e do exterior", afirma.

O executivo observa que os efeitos alcançam toda a cadeia produtiva do turismo, do transporte e das agências receptivas aos restaurantes, guias, comerciantes e prestadores de serviços. "O grande desafio é transformar a visita pontual do cruzeirista em uma experiência tão positiva que desperte o desejo de retornar à Bahia para uma estadia mais longa", avalia.

Tempo limitado em terra exige planejamento preciso

De acordo com Pedreira, cada escala concentra um grande número de visitantes em um intervalo relativamente curto, o que eleva a necessidade de deslocamentos organizados, seguros e pontuais. "Diferentemente do turista que permanece vários dias no destino, o cruzeirista precisa aproveitar o tempo disponível em terra com um planejamento muito mais preciso", explica.

Em Salvador, segundo o CEO, a procura se concentra em traslados para pontos turísticos, passeios culturais, praias e experiências gastronômicas, além do trajeto entre o terminal de passageiros, hotéis e outros pontos de interesse. "O passageiro busca comodidade, previsibilidade e a tranquilidade de saber que conseguirá realizar seu roteiro e retornar ao navio dentro do horário estabelecido", diz. Na avaliação dele, o transporte turístico precisa ir além da locomoção e fazer parte da experiência, com atendimento eficiente e informações claras desde a contratação.

"O principal desafio é coordenar volume, tempo e logística. Quando há grande concentração de passageiros, precisamos considerar o fluxo de desembarque, as condições do trânsito, a distância entre as atrações, a capacidade dos veículos e os horários de retorno ao navio", detalha.

Pedreira acrescenta que pequenos atrasos podem comprometer todo o roteiro de quem dispõe de poucas horas, o que torna essencial dimensionar a operação, definir horários realistas e manter equipes preparadas para imprevistos. A atenção cresce nos destinos que dependem de travessias marítimas ou de conexões entre modalidades, por envolverem horários de embarque, condições de navegação e oferta de serviços.

Renda distribuída pela cadeia turística

Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA Brasil), divulgados pelo governo estadual, indicam que a temporada 2025/2026 movimentou R$ 4,76 bilhões no país. Desse total, R$ 2 bilhões vieram dos gastos de passageiros e tripulantes nas cidades de embarque, desembarque e trânsito, e a atividade gerou 64.529 postos de trabalho.

"O cruzeirista movimenta muito mais do que o transporte. Sua presença pode gerar oportunidades para guias de turismo, restaurantes, bares, lojas de artesanato, espaços culturais, operadores de passeios e pequenos empreendedores locais", pontua Pedreira. Para ele, o impacto cresce quando há integração entre empresas de transporte, receptivos, guias e comerciantes.

"Acredito que a grande oportunidade para a Bahia é valorizar os profissionais locais e desenvolver experiências autênticas, que apresentem a identidade do estado ao visitante. Nesse contexto, passeios que valorizam as belezas naturais também merecem destaque, como o passeio volta Ilha em Morro de São Paulo, que permite conhecer diferentes cenários do arquipélago", enfatiza.

Na Bahia Terra Turismo, a preparação para a temporada envolve o acompanhamento da programação dos navios, o dimensionamento da demanda, a organização de traslados e passeios e o alinhamento de horários e pontos de encontro. "Para o cruzeirista, pontualidade e segurança são fundamentais, principalmente porque o tempo disponível em terra é limitado e o retorno ao navio precisa ser tratado como prioridade", ressalta. A empresa também conecta visitantes a destinos do litoral baiano, com serviços de transfer para Morro de São Paulo e de transfer para Comandatuba, observando as particularidades de cada trajeto.

Tendências e pontos a avançar

Entre as tendências da temporada, o CEO cita a procura por experiências personalizadas, passeios de curta duração bem planejados, atendimento digital e serviços que ofereçam mais comodidade. Em contrapartida, aponta a necessidade de evoluir na integração entre modais de transporte, na organização dos fluxos de passageiros, na sinalização turística, na infraestrutura de atendimento e na divulgação antecipada das opções de passeios e traslados, além da cooperação entre poder público, terminais portuários e empresas privadas.

"Nesse processo, facilitar o planejamento da viagem é fundamental, inclusive com informações sobre como chegar em Boipeba, um destino que exige atenção especial às conexões e aos meios de transporte disponíveis", comenta.

Com 48 embarcações programadas até abril de 2027, a temporada testa a articulação entre terminais, órgãos públicos e operadores privados para converter o fluxo concentrado de visitantes em renda e recomendação do destino. "O sucesso não deve ser medido apenas pelo número de passageiros que desembarcam, mas também pela qualidade da experiência que levam consigo", conclui Pedreira.

Para mais informações, basta acessar: https://www.bahiaterra.com/transfer