As plataformas de mercados de previsão estão proibidas no Brasil desde o início deste ano.
Mas isso não impediu que uma delas, a Polymarket, surgisse como um personagem improvável nas eleições brasileiras, sendo utilizada, principalmente por apoiadores da direita, como uma suposta métrica de intenção de voto.
A Polymarket é uma plataforma em que usuários negociam palpites sobre a probabilidade de determinados eventos acontecerem, como um possível cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia ou o resultado da eleição presidencial brasileira, disputada entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Frases como “Flávio Bolsonaro disparou na Polymarket” e “Lula já perdeu” tomaram as redes sociais, acompanhadas de gráficos que atribuem mais de 80% de probabilidade ao candidato do PL. Os números são apresentados por alguns usuários como indicativo de uma possível vitória no segundo turno, em 25 de outubro.
De acordo com especialistas, as porcentagens dos gráficos representam os preços pelos quais os palpites são negociados e podem sofrer influência da entrada de novos participantes no mercado.
A Polymarket afirmou à Agência France-Presse que os eventos disponíveis na plataforma não constituem “pesquisas eleitorais, projeções oficiais ou manifestações de apoio a qualquer candidatura”.
Os mercados de previsão foram proibidos no Brasil pela Secretaria de Prêmios e Apostas, a SPA, em abril de 2026. Segundo a justificativa apresentada, a falta de regulamentação poderia contribuir para o endividamento da população.
A medida do governo brasileiro acompanha restrições ao uso dessas plataformas em outros 38 países, como França, Alemanha e Japão.
Mesmo assim, as apostas sobre as eleições brasileiras na Polymarket somam mais de 180 milhões de dólares e acumulam dezenas de comentários em português.
Diante do fenômeno, o Ministério da Fazenda afirmou, em nota enviada em 14 de outubro, que a SPA monitora a efetividade da proibição e pode adotar novas medidas para impedir a oferta irregular.
A Polymarket declarou estar disposta a contribuir tecnicamente com as autoridades brasileiras.