Geral Legislativo - MT
Wilson Santos defende Estado como indutor da industrialização em MT
O posicionamento do parlamentar teve como objetivo agregar valor à matéria-prima, diversificar a economia e ampliar a oferta de empregos com melhor...
21/10/2026 08h25
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa - MT

O deputado estadual Wilson Santos (PSD) defendeu que o Governo de Mato Grosso assuma o papel de indutor do processo de industrialização das cadeias produtivas do estado, com o objetivo de agregar valor à matéria-prima, diversificar a economia e ampliar a oferta de empregos com melhores salários. A manifestação ocorreu nesta segunda-feira (19), durante audiência pública na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), que debateu o Projeto de Lei nº 692/2026 , referente à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 (PLDO 2027).

Durante a apresentação do monitoramento dos riscos fiscais, conduzida pelo secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, o parlamentar demonstrou preocupação com a queda dos preços das commodities no mercado internacional e os reflexos desse cenário na arrecadação estadual. Para ele, a dependência da exportação de produtos primários torna a economia mato-grossense vulnerável às oscilações do mercado externo.

“Esse é um grande risco que toda a economia voltada para produtos primários, voltada para a exportação, corre. Daí, nós precisamos industrializar o estado e transformar essa matéria-prima em algo menos arriscado. Ninguém tem mais matéria-prima e condições de transformar do que nós. Quem manda no preço da soja é a Bolsa de Chicago e a China. Nós dependemos muito mais deles do que nós. Construir uma economia mais segura é o caminho da industrialização”, explicou Wilson Santos.

O deputado citou a necessidade de avançar no processamento industrial de matérias-primas produzidas em Mato Grosso e mencionou as cadeias do algodão e do calçado como possibilidades de desenvolvimento. Ele defendeu que o estado estabeleça uma política estruturada para atrair e desenvolver indústrias, com metas que permitam avaliar os resultados ao longo dos próximos quatro anos.

Na sequência, o secretário Fábio Pimenta concordou com a importância estratégica da industrialização e citou setores nos quais Mato Grosso ampliou o processamento da produção. “Não tenho dúvidas. É o nosso principal objetivo econômico e estratégico: o desenvolvimento da indústria. Defendemos e adotamos políticas. Já tivemos sucesso em vários setores. A exemplo do milho, que nós exportávamos 80% da nossa produção e, hoje, quase metade da produção já estamos processando internamente em Mato Grosso, mas também o setor de carnes. Mato Grosso é um grande produtor de carne bovina e de frango. No biodiesel, somos, junto com o Rio Grande do Sul, os maiores produtores nacionais. E estamos buscando, inclusive, diversificar a economia em outros setores”, justificou.

O parlamentar, no entanto, ponderou que o avanço da produção de etanol de milho no estado ocorreu principalmente pela iniciativa privada, especialmente de investidores internacionais e cobrou uma atuação mais efetiva do poder público na condução de uma política de industrialização. 

“Quando faço essa provocação é que o estado precisa ser o indutor desse processo. Espero que, com a posse do governador Otaviano, em fevereiro de 2027, ele apresente a sua proposta para industrializar o estado como indutor. Nós temos que ter uma proposta para as indústrias internacionais e nacionais. Se não, vamos viver a vida inteira de latifúndio, monocultura e visando o mercado externo. Isso fazíamos há 500 anos atrás com a cana, com o café e com a borracha. É preciso diversificar, dar emprego de qualidade e bons salários. Mato Grosso tem uma concentração de renda estúpida”, frisou Wilson Santos.

Ao concluir a discussão sobre o tema, Fábio Pimenta destacou a importância da parceria entre o Executivo e o Legislativo para o aperfeiçoamento das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico. O secretário também citou o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic) como instrumento de incentivo à atividade industrial, ao desenvolvimento e à geração de empregos. “Sempre faremos ajustes, inclusive contamos com a Assembleia Legislativa, em eventual evolução, como sempre foi parceira do Estado”, finalizou.