Saúde Saúde
Ouro na medicina: como o metal é usado para tratar doenças
Entenda como o ouro é utilizado em tratamentos, diagnósticos e pesquisas científicas para combater diferentes doenças.
21/10/2026 11h39
Por: mc Fonte: Agência Dino

O ouro é conhecido mundialmente por seu valor econômico e por sua utilização na fabricação de joias, mas suas aplicações vão além do mercado de metais preciosos. Na área da saúde, compostos derivados desse elemento já foram empregados no tratamento de doenças inflamatórias, enquanto novas pesquisas investigam o potencial de nanopartículas de ouro no diagnóstico e na terapia de diferentes condições.

Ouro na medicina: aplicações terapêuticas e científicas

O uso do ouro na medicina não é recente. Ao longo da história, pesquisadores investigaram diferentes compostos do metal para compreender seus efeitos no organismo e identificar possíveis aplicações terapêuticas. Com o avanço da química e da biotecnologia, o interesse científico também passou a incluir estruturas microscópicas produzidas a partir do ouro.

De acordo com Igor Ferreira, especialista em ouro da joalheria Fábrica do Ouro, é importante diferenciar o metal utilizado na fabricação de joias dos compostos preparados especificamente para fins médicos.

"O ouro em sua forma metálica não possui os mesmos efeitos farmacológicos das substâncias desenvolvidas em laboratório, cuja composição e segurança precisam ser avaliadas individualmente", afirma Ferreira.

Tratamento de doenças inflamatórias

Uma das aplicações históricas mais conhecidas dos compostos de ouro é o tratamento da artrite reumatoide, doença autoimune que provoca inflamação nas articulações, dor e limitação dos movimentos. Durante décadas, determinados compostos de ouro foram utilizados como medicamentos para controlar a inflamação associada à enfermidade.

Entre essas substâncias estão o aurotiomalato de sódio e a auranofina, compostos estudados por sua capacidade de interferir em mecanismos relacionados à resposta imunológica. Apesar dos benefícios observados em determinados pacientes, esses tratamentos podem provocar efeitos adversos importantes e perderam espaço para outras opções terapêuticas.

A utilização dessas substâncias depende de avaliação médica, pois os riscos variam conforme o composto, a dose e as condições clínicas do paciente. O histórico de uso terapêutico do ouro também contribuiu para ampliar as pesquisas sobre sua interação com células e processos biológicos.

Nanopartículas de ouro no tratamento de câncer

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estudam como nanopartículas de ouro (AuNPs) podem interagir com células, transportar substâncias e contribuir para a identificação de alterações biológicas e ajudar no tratamento de câncer.

Uma das áreas de investigação envolve o desenvolvimento de ferramentas capazes de reconhecer marcadores biológicos associados a doenças. Nanopartículas de ouro podem ser utilizadas em determinadas técnicas laboratoriais de detecção, contribuindo para identificar substâncias de interesse clínico.

Os pesquisadores também avaliam o emprego dessas estruturas em estratégias de direcionamento de medicamentos e em tratamentos que utilizam propriedades físicas das partículas para produzir calor em regiões específicas. O objetivo é identificar maneiras de atingir tecidos doentes com maior precisão e, potencialmente, reduzir danos às células saudáveis.

Diagnóstico e imagens

Compostos de ouro são utilizados no desenvolvimento de testes diagnósticos rápidos e sensíveis, como os destinados à detecção de vírus como dengue, zika e chikungunya. Também podem atuar como agentes de contraste e marcadores em técnicas de imagem, como tomografia e microscopia, devido às suas propriedades ópticas e de espalhamento de luz.

Odontologia

Na odontologia, o ouro possui uma longa trajetória, principalmente na fabricação de restaurações e próteses dentárias. Suas características, como resistência à corrosão, durabilidade e boa adaptação aos procedimentos de trabalho, favorecem seu uso em coroas, incrustações e outras restaurações.

Ouro: um componente essencial na evolução dos serviços de saúde

O avanço das pesquisas médicas ocorre paralelamente à modernização da infraestrutura utilizada por clínicas, consultórios, laboratórios e hospitais. Equipamentos especializados, sistemas digitais e ferramentas de organização contribuem para integrar informações e apoiar os processos de atendimento.

Para Edson Eschemback, especialista em equipamentos e sistemas de gestão médica e ligado à OnMed, a modernização da infraestrutura de saúde é um dos fatores que contribuem para a evolução dos serviços médicos.

"A evolução da medicina depende não apenas de novas descobertas científicas, mas também do desenvolvimento de tecnologias, equipamentos e soluções capazes de aprimorar os processos de diagnóstico e tratamento. Nesse contexto, o ouro é um elemento importante para a evolução dos tratamentos médicos", conclui Eschemback.

O uso do ouro na medicina inclui aplicações históricas no tratamento de determinadas doenças inflamatórias e pesquisas voltadas ao diagnóstico e à terapia de outras condições.

O avanço dessas aplicações depende da comprovação de eficácia, da avaliação dos riscos e do desenvolvimento de protocolos seguros. Dessa forma, o estudo do ouro continua contribuindo para a investigação de novas ferramentas médicas, sem dispensar os critérios científicos necessários para sua utilização em pacientes.