
Os israelenses vão às urnas na próxima terça-feira. As eleições são apresentadas como um referendo sobre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e sobre os rumos do país após o ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023.
O líder conservador, que acumula quase 19 anos no poder em diferentes períodos, busca um novo mandato após comandar a guerra em Gaza e uma disputa regional que incluiu operações no Líbano e bombardeios contra o Irã, com apoio dos Estados Unidos.
No domingo, o premiê recebeu um importante apoio do presidente americano, Donald Trump.
Embora grande parte da sociedade israelense apoie os objetivos da guerra, o trauma dos ataques de 7 de outubro continua marcando a campanha.
Os críticos de Netanyahu o responsabilizam por não ter evitado o ataque e questionam suas tentativas de reformar o Judiciário enquanto enfrenta acusações de corrupção.
Seus apoiadores afirmam que o governo conseguiu recuperar a estabilidade após a crise e destacam que a economia continuou crescendo desde o início da guerra, impulsionada pelos setores de tecnologia e defesa.
Um dos principais rivais nas pesquisas é o ex-chefe militar Gadi Eisenkot, recém-chegado à política, que busca unir o centro israelense em uma sociedade profundamente dividida.
O ex-general concentrou sua campanha na gestão israelense dos ataques do Hamas e questiona por que o governo não conseguiu impedir a incursão. Sua trajetória também é marcada por uma tragédia pessoal: um de seus filhos morreu em combate na Faixa de Gaza.
Embora a oposição não conteste a guerra em Gaza, seus integrantes criticam a crescente influência dos partidos ultranacionalistas e radicais na coalizão governista.
Um dos temas mais controversos é a isenção do serviço militar para estudantes religiosos, defendida por Netanyahu. A política alimentou o ressentimento de muitos israelenses mobilizados desde o início do conflito.
As pesquisas apontam uma disputa acirrada. O resultado pode definir não apenas quem governará Israel nos próximos anos, mas também como o país enfrentará as consequências políticas, sociais e de segurança deixadas pela guerra em Gaza.