Mais de 250 mil pessoas foram deslocadas no Iêmen desde agosto. O número foi divulgado nesta terça-feira pela ONU, que pediu a abertura de acesso humanitário à cidade de Taiz, no oeste do país, cercada pelos houthis desde o início de outubro.
“Estamos profundamente preocupados com o agravamento da situação de deslocamento no Iêmen. O número de deslocados já ultrapassou 250 mil, em comparação com o último dado calculado, de 213 mil. Esses números se referem ao período até 17 de outubro e, conforme ouvimos de nossos colegas sobre a situação em Taiz, isso é particularmente preocupante, pois a cidade está acolhendo cerca de metade dos novos deslocados.”
As Nações Unidas alertaram para o fechamento, pelos houthis, da única via de abastecimento que liga Taiz a Aden. A situação expõe os civis a graves perigos, bloqueia a ajuda humanitária e dificulta o acesso a bens de primeira necessidade.
À medida que os combates se aproximam das áreas densamente povoadas da cidade, a entidade alerta que os riscos para os civis aumentam consideravelmente.
“Há 12 hospitais em Taiz que têm combustível suficiente para cerca de quatro dias. A cidade também enfrenta um déficit diário de oxigênio, enquanto 115 dos 127 medicamentos essenciais têm estoques suficientes para cerca de uma semana ou menos.”
O Iêmen voltou a mergulhar na guerra em julho, após vários anos de relativa calma, em meio ao conflito regional desencadeado no fim de fevereiro pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Os houthis, apoiados por Teerã e que até então controlavam grande parte do norte do país, incluindo a capital, Saná, avançaram em poucos dias pela costa ocidental.
Desde então, a Arábia Saudita tem bombardeado com frequência áreas controladas pelos combatentes no Iêmen. Em represália, os houthis atacaram alvos em território saudita, incluindo o aeroporto da capital, Riade.