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México protege floresta submarina ameaçada pelo El Niño
Uma equipe de mergulhadores se lança ao Pacífico mexicano e acompanha a nado uma alga gigante. Os profissionais são cientistas e pescadores que tentam expandir uma floresta submarina para salvá-la dos efeitos devastadores do El Niño.
21/10/2026 15h15
Por: Redação - Vinicius Fonte: AGENCIA FRANS PRESS
AGENCIA FRANS PRESS

Uma equipe de cientistas e pescadores tenta expandir uma floresta submarina no Pacífico mexicano para salvá-la dos efeitos devastadores do El Niño.

Esses ecossistemas absorvem CO₂, um dos gases que impulsionam a mudança climática. A vegetação forma colunas de até 30 metros de comprimento, com folhas pardas e porosas que filtram a luz do sol.

O aquecimento do Pacífico provocado pelo El Niño já destruiu parte dessa floresta em 2015. Neste ano e no próximo, o fenômeno ameaça ser mais intenso.

“Deste chamado ‘Super Niño’, se espera, infelizmente, um processo muito semelhante ao de 2014 e 2016, no qual as poucas florestas submarinas que temos podem ser perdidas”.

O plano é colocar, até o fim do ano, algas férteis em cerca de três hectares para ampliar a extensão desse ecossistema localizado no estado da Baixa Califórnia, na fronteira com os Estados Unidos.

Guillermo Torres, doutor em ecologia marinha, mergulha há 50 anos entre essas plantas aquáticas.

“Ao longo do tempo, fui percebendo a importância, não apenas a beleza dessas florestas, mas a importância ecológica que elas têm. Sem dúvida, são basicamente o sustento principal dos organismos desta região”.

A meta é que as algas gigantes liberem esporos e regenerem a floresta naturalmente.

Os pescadores também ajudam.

A fauna que habita entre as algas gigantes é igualmente vital para a economia de povoados pesqueiros como Popotla, localizado a 30 quilômetros da fronteira com os Estados Unidos. É de lá que partem os dois barcos com a equipe de cientistas e pescadores.

Os moradores saem da região para mergulhar e capturar os frutos do mar consumidos pelos turistas em restaurantes de Playas de Rosarito, um destino atraente para viajantes e surfistas.

“A principal realidade é porque faz parte da minha atividade e dependo do mar e da produção. Se eu não fizesse o trabalho de conservação da floresta de algas, quem mais o faria? As pessoas de fora não fariam. A gente tem que fazer, a gente, os pescadores”.

Pelo menos 88% desses campos de algas foram perdidos há aproximadamente uma década. De acordo com especialistas, o atual El Niño está se desenvolvendo de maneira bastante intensa em comparação com outros.

Dados recentes da agência oceanográfica dos Estados Unidos já mostram uma “onda de calor marinha brutal” na Baixa Califórnia.

“Em termos de biodiversidade, é um golpe, tem um grande impacto. E para as pescarias é relevante porque praticamente a totalidade das pescarias costeiras da região depende das florestas: a pesca do ouriço, do pepino-do-mar, do caracol depende de que as florestas estejam funcionando. As florestas são a base de tudo”.

Torres reconhece que talvez não seja possível recuperar a totalidade das florestas submarinas, mas destaca a importância de cuidar dos “pequenos tesouros” que resistiram ao El Niño no passado e agora voltam a ficar ameaçados.