Imagens divulgadas pela 92ª Brigada de Assalto mostram um grande drone erguendo o soldado ucraniano Kostiantyn Vlasenko e transportando-o pelos céus da região de Kharkiv até uma área segura.
A operação foi realizada após mais de um ano de tentativas de manter contato e prestar apoio ao militar, que permaneceu isolado em uma posição avançada da linha de frente. As imagens foram divulgadas em 19 de outubro. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente o local e a data exatos do vídeo.
Em entrevista à Reuters, Vlasenko, de 49 anos, relembrou o longo período em que acreditou que jamais seria resgatado.
O soldado ucraniano da 30ª Brigada Mecanizada permaneceu em seu posto apesar de graves ferimentos nas pernas.
“Eu já tinha me enterrado. Sabe o que quero dizer? Foram 491 dias praticamente sozinho.”
A guerra entre Ucrânia e Rússia, agora em seu quinto ano, tornou-se um dos maiores exemplos do uso de drones em combate. Os dois lados investem constantemente na tecnologia, que redesenha estratégias militares e transforma a dinâmica do campo de batalha.
Ao recordar o momento da evacuação, o soldado descreveu a chegada da aeronave como algo que nunca esquecerá.
“Parecia que um helicóptero estava pousando. Havia um forte rugido. Isso vai ficar comigo para o resto da vida: o zumbido do resgate. Aquilo até tinha um sabor. Não consigo explicar como era esse sabor, mas ele existe. É incrível.”
Segundo Vlasenko, a jornada começou quando uma munição lançada por um drone russo o atingiu na perna e no pescoço. Ferido, ele conseguiu se arrastar até um abrigo improvisado, onde permaneceu escondido por meses. Emocionado, contou que soldados enviados para alcançá-lo morreram durante tentativas de resgate.
Ele disse que um dos momentos mais difíceis da sobrevivência foi tomar a decisão de amputar a própria perna.
“E houve alguns momentos terríveis quando amputei minha própria perna. Tive de amputá-la porque ela simplesmente vinha se arrastando atrás de mim. A perna arrastava tanto que o osso ficava cada vez mais exposto. E eu tive que fazer isso – aquela perna estava me atrapalhando. Não havia como salvá-la. Então decidi cortá-la. Cortei, apliquei um torniquete e a enfaixei imediatamente. Afrouxei o torniquete porque o sangramento havia parado. E então eu já não tinha mais as duas pernas. E permaneci na minha posição sem pernas.”
Hoje, já fora da zona de combate, ele se recupera do trauma e das graves feridas que marcaram uma das histórias mais extraordinárias da guerra.