Internacional INTERNACIONAL
Soldado ucraniano é resgatado por drone após passar 491 dias isolado na linha de frente
Um soldado ucraniano ferido foi retirado de uma posição avançada na região de Kharkiv por um drone em uma operação que a Ucrânia descreve como inédita. O militar passou 491 dias praticamente sozinho no local.
22/10/2026 15h24
Por: Redação - Vinicius Fonte: Reuters Connect
Reuters Connect

Imagens divulgadas pela 92ª Brigada de Assalto mostram um grande drone erguendo o soldado ucraniano Kostiantyn Vlasenko e transportando-o pelos céus da região de Kharkiv até uma área segura.

A operação foi realizada após mais de um ano de tentativas de manter contato e prestar apoio ao militar, que permaneceu isolado em uma posição avançada da linha de frente. As imagens foram divulgadas em 19 de outubro. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente o local e a data exatos do vídeo.

Em entrevista à Reuters, Vlasenko, de 49 anos, relembrou o longo período em que acreditou que jamais seria resgatado.

O soldado ucraniano da 30ª Brigada Mecanizada permaneceu em seu posto apesar de graves ferimentos nas pernas.

“Eu já tinha me enterrado. Sabe o que quero dizer? Foram 491 dias praticamente sozinho.”

A guerra entre Ucrânia e Rússia, agora em seu quinto ano, tornou-se um dos maiores exemplos do uso de drones em combate. Os dois lados investem constantemente na tecnologia, que redesenha estratégias militares e transforma a dinâmica do campo de batalha.

Ao recordar o momento da evacuação, o soldado descreveu a chegada da aeronave como algo que nunca esquecerá.

“Parecia que um helicóptero estava pousando. Havia um forte rugido. Isso vai ficar comigo para o resto da vida: o zumbido do resgate. Aquilo até tinha um sabor. Não consigo explicar como era esse sabor, mas ele existe. É incrível.”

Segundo Vlasenko, a jornada começou quando uma munição lançada por um drone russo o atingiu na perna e no pescoço. Ferido, ele conseguiu se arrastar até um abrigo improvisado, onde permaneceu escondido por meses. Emocionado, contou que soldados enviados para alcançá-lo morreram durante tentativas de resgate.

Ele disse que um dos momentos mais difíceis da sobrevivência foi tomar a decisão de amputar a própria perna.

“E houve alguns momentos terríveis quando amputei minha própria perna. Tive de amputá-la porque ela simplesmente vinha se arrastando atrás de mim. A perna arrastava tanto que o osso ficava cada vez mais exposto. E eu tive que fazer isso – aquela perna estava me atrapalhando. Não havia como salvá-la. Então decidi cortá-la. Cortei, apliquei um torniquete e a enfaixei imediatamente. Afrouxei o torniquete porque o sangramento havia parado. E então eu já não tinha mais as duas pernas. E permaneci na minha posição sem pernas.”

Hoje, já fora da zona de combate, ele se recupera do trauma e das graves feridas que marcaram uma das histórias mais extraordinárias da guerra.