
O cultivo experimental de lúpulo no Tocantins tem apresentado resultados promissores após cerca de quatro meses de acompanhamento. Desenvolvida pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), a iniciativa foi implantada em uma unidade demonstrativa durante a Agrotins, em maio deste ano, com o objetivo de avaliar o desenvolvimento de diferentes variedades, testar práticas de manejo e reunir dados sobre a produtividade da cultura nas condições climáticas do estado.
O trabalho teve início com a doação de 240 mudas de lúpulo pela Hops Brasil, empresa especializada em melhoramento genético e produção de mudas certificadas. Inicialmente, foram disponibilizadas oito variedades, das quais quatro foram avaliadas na unidade demonstrativa: Nugget, Zeus, Magnum e Chinook.
O plantio foi realizado em 13 de abril de 2026, e desde então, a equipe técnica do Ruraltins acompanhou o desenvolvimento das plantas, realizando o controle da adubação e da irrigação, além do monitoramento do fotoperíodo, fator importante para o desenvolvimento do lúpulo.
A engenheira agrônoma Joelma Maia explica que o resultado obtido durante o ciclo superou as expectativas da equipe. “A partir daí a gente viu que o desenvolvimento da cultura deu certo. A gente controlou a adubação, controlou a irrigação, fez todo o processo e já está colhendo o material”, afirma.
Lúpulo
O lúpulo é uma planta tradicionalmente adaptada a regiões de clima temperado e tem papel importante na produção de cerveja. Seus cones concentram resinas e óleos essenciais responsáveis por características como amargor, aroma e sabor da bebida.
Por estar adaptado a regiões de dias mais longos, o cultivo em áreas tropicais exige cuidados específicos, principalmente em relação à luminosidade. Na unidade demonstrativa, foi utilizada suplementação luminosa artificial para ampliar o período de luz recebido pelas plantas e auxiliar no desenvolvimento vegetativo.
A engenheira agrônoma Joelma Maia destaca que as condições de luminosidade do Tocantins podem representar uma característica favorável à cultura. “O lúpulo no Tocantins tem uma vantagem com relação aos outros estados, pela questão da luminosidade, que é muito boa, e o lúpulo desenvolve bem quando tem uma luminosidade maior. Mesmo a gente complementando com a luz artificial, o resultado foi muito bom, melhor do que esperávamos”, pontua.
Resultados
A colheita foi realizada manualmente no final de agosto, cerca de 130 a 140 dias após o plantio. Os cones foram retirados das plantas e pesados individualmente em balança digital, permitindo calcular a produtividade média por planta. A variedade Nugget teve cinco plantas avaliadas e apresentou média de 292 gramas por planta.
A Zeus, com seis plantas avaliadas, registrou o maior resultado entre as variedades analisadas, com aproximadamente 303 gramas por planta. A Chinook também apresentou desempenho de destaque, com média de 292 gramas por planta, considerando 11 plantas avaliadas. Já a Magnum, igualmente avaliada em 11 plantas, apresentou média de 200 gramas por planta.
Como referência, foi considerada a média nacional de aproximadamente 200 gramas de cones por planta. Dessa forma, no ciclo avaliado, Nugget, Zeus e Chinook ficaram acima dessa referência, enquanto a Magnum apresentou resultado equivalente. Os dados, no entanto, correspondem especificamente às plantas avaliadas na unidade demonstrativa e ao ciclo acompanhado em 2026.
Por isso, não representam necessariamente o potencial máximo de produtividade das variedades. Durante a colheita, a equipe também observou diferenças no tamanho e na formação dos cones entre as plantas, informações que serão importantes para futuras avaliações sobre o comportamento das variedades nas condições do Tocantins.
O extensionista rural Cristiano Freire explica que a colheita marca o encerramento de uma etapa do ciclo da planta, mas não o fim da produção. Após a retirada dos cones, é realizada a poda da parte aérea, preservando a estrutura da planta para permitir uma nova brotação. “Trata-se de uma cultura perene, com expectativa de vida produtiva de pelo menos 20 a 25 anos. Após a poda, a planta volta a brotar e inicia um novo ciclo vegetativo até alcançar novamente a fase de produção”, afirma.
III Encontro Brasileiro de Lúpulo
A iniciativa faz parte de um movimento de aproximação do Estado com a cadeia produtiva nacional do lúpulo. Em setembro, a equipe técnica da Gerência de Agricultura do Ruraltins participou do III Encontro Brasileiro de Lúpulo (Enbralúpulo), realizado em Botucatu/SP. Entre os temas debatidos estiveram o cenário da cadeia nacional do lúpulo, mercado, cooperativismo, políticas públicas, equipamentos para processamento e beneficiamento, manejo, melhoramento genético e o desenvolvimento de novas cultivares brasileiras, como Carnaval e Kaleidoscope.