Protesto em Portugal contra crise habitacional e violência policial.
Manifestantes se reuniram em frente à Assembleia Nacional, em Lisboa, nesta terça-feira, para protestar contra a crise de moradia no país.
O grupo também criticou a brutalidade da polícia ao desmantelar acampamentos de protesto.
No domingo, policiais desmontaram acampamentos em Lisboa e no Porto, que foram inspirados nas manifestações na Espanha. A operação resultou em 31 detenções. Segundo as autoridades, sete pessoas ficaram feridas, entre elas três agentes. Os organizadores dos acampamentos de protesto afirmaram que cerca de 60 pessoas foram feridas.
“Estou a favor dos protestos, especialmente de manifestações como esta, que são por uma causa justa. Trabalho em Lisboa e a situação da habitação aqui vem piorando cada vez mais já há muito tempo. Já não é só má – é uma situação miserável. Estou aqui por aqueles que têm casa, pelos que não têm, e também para chamar a atenção para a questão da violência policial. Estamos a ver a polícia a agir com cada vez mais agressividade, sobretudo os agentes mais jovens, e não sei até onde isto pode chegar”, disse Virgilio Santos, servidor público.
“Estou aqui para apoiar esses jovens que precisam construir um futuro para si mesmos, mesmo sendo muito difícil. Quem é que consegue pagar um quarto aos preços que estamos a ver? Eles não conseguem. Por isso vieram protestar pacificamente, mas os nossos dirigentes e a polícia estão a tratá-los muito mal; é realmente uma forma desumana de tratar esses jovens. Não posso aceitar este comportamento desumano." disse Emilia Pinto, aposentada
O presidente António José Seguro afirmou nesta terça-feira que Portugal tem ‘uma cultura de diálogo, não uma cultura de violência’ e conclamou os manifestantes e o governo a conversarem.
O primeiro-ministro Luís Montenegro, em discurso no parlamento nesta terça, defendeu a atuação da polícia como ‘razoável’, embora tenha reconhecido que o país vive ‘uma crise habitacional’.