Educação Educação
Morte súbita: o ECG do pronto-socorro pode mudar o desfecho
Em alusão ao Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e Morte Súbita, em 12 de novembro, Gustavo Vitória Gomes, médico e CEO da CalcMed, chama atenção para uma etapa pouco discutida: o paciente que passa pelo pronto-socorro com síncope ou...
29/10/2026 09h57
Por: mc Fonte: Agência Dino

O dia 12 de novembro marca o Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e Morte Súbita, data promovida pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC). Segundo a entidade, entre 250 mil e 300 mil brasileiros morrem subitamente a cada ano, e cerca de 95% desses eventos acontecem fora de unidades de saúde.

As campanhas sobre o tema costumam se concentrar no atendimento ao público leigo, como o reconhecimento da parada cardíaca, as manobras de reanimação e o uso do desfibrilador externo automático. Há, porém, uma etapa anterior que recebe menos atenção: os pacientes que passam pelo pronto-socorro antes do evento, com sinais que podem indicar risco.

O pronto-socorro como porta de entrada

Para Gustavo Vitória Gomes, médico, CEO e fundador da CalcMed, empresa de soluções digitais para médicos de urgência e emergência, o plantonista ocupa uma posição estratégica nesse cenário. "Muitas vezes, o pronto-socorro é o único lugar onde aquele paciente vai fazer um eletrocardiograma antes do evento", afirma.

Segundo ele, queixas como síncope, palpitações, mal-estar durante o esforço físico ou história familiar de morte súbita em pessoas jovens merecem atenção especial, mesmo quando o paciente chega estável e assintomático no momento da avaliação. "O desafio é que esse paciente costuma parecer bem. Ele melhorou, quer ir embora, e o pronto-socorro está cheio. É exatamente o perfil que pode passar despercebido", observa.

O eletrocardiograma que não pode ser subestimado

De acordo com Gomes, o eletrocardiograma segue como uma das ferramentas mais acessíveis e informativas da emergência para identificar condições associadas à morte súbita. Alterações como síndromes de pré-excitação, intervalo QT prolongado, padrões sugestivos de síndrome de Brugada, bloqueios avançados e sinais de cardiopatia estrutural podem estar presentes em um traçado motivado por outra queixa.

"O ECG é barato, rápido e está disponível em quase todos os serviços. O problema não é fazer o exame, é ter segurança para interpretá-lo no meio do plantão, muitas vezes sem cardiologista disponível", diz o médico. Para ele, a dificuldade é maior em unidades de pronto atendimento e hospitais de menor porte, onde o generalista precisa decidir sozinho se o paciente pode receber alta.

Quando a parada acontece

Quando a parada cardiorrespiratória ocorre dentro do serviço de saúde, a organização da equipe faz diferença. A SOBRAC destaca que a chance de recuperação depende do tempo até a desfibrilação nos casos de ritmos chocáveis, como a fibrilação ventricular. Por isso, protocolos claros, papéis definidos e controle do tempo durante a reanimação são considerados fundamentais.

"Na parada, cada ciclo conta. Ter alguém controlando o tempo, registrando as intervenções e lembrando o próximo passo libera o líder da reanimação para pensar no que está causando aquela parada", afirma Gomes.

Tecnologia de apoio ao plantonista

Nesse contexto, ferramentas digitais vêm sendo incorporadas para apoiar o médico tanto na análise do eletrocardiograma quanto na condução da reanimação. A CalcMed desenvolve soluções voltadas aos plantonistas, com fluxos guiados para parada cardiorrespiratória, protocolos baseados em evidências e serviços de apoio à interpretação de eletrocardiogramas a distância.

"A data de 12 de novembro é um lembrete importante para a população, mas também para quem está no plantão. Prevenir a morte súbita passa por não deixar escapar o paciente que deu um sinal antes", conclui Gomes.

Para mais informações sobre a CalcMed, basta acessar https://calcmed.com.br.