
A histórica reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva fez os mercados tremerem logo no dia seguinte do pleito.
A Bolsa de Valores de São Paulo, que apostava em uma vitória de Flávio Bolsonaro após seu bom desempenho no primeiro turno, despencou quase 17% na abertura dos mercados na segunda-feira e fechou com queda de quase 14%.
O movimento mostra uma preocupação por parte de investidores, que temem que o presidente governe sem disciplina fiscal em seu quarto mandato.
"O mercado está de olho no ajuste fiscal, ou seja, se o governo vai conseguir controlar as contas públicas, se o governo vai conseguir evitar que a dívida pública continue subindo ao longo do tempo, o mercado atribuía a maior probabilidade de que isso acontecesse numa eventual vitória da oposição. Não aconteceu, então houve essa reação do mercado.", disse Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank
O Estado brasileiro gasta mais do que arrecada, a dívida pública supera 80% do PIB e o Banco Central mantém uma das taxas de juros mais altas do mundo para conter a inflação.A desaceleração econômica no horizonte aumenta os desafios.
"A incerteza vem do fato de que, quando os economistas fazem os cálculos da evolução da dívida com relação ao PIB, ela sobe, sobe esse ano, sobe ano que vem, sobe o ano seguinte, e a gente ainda não consegue ver no horizonte de previsão o momento em que ela estabiliza. Isso gera uma trajetória que é insustentável.", reforçou Felipe
E o que pode ser feito para que o mercado tenha menos preocupações?
“Estabelecer uma proposta que seja clara e crível de que em algum momento no futuro essa dívida vai parar de subir. Você não precisa cortar gastos imediatamente, o que precisa ser feito é que a taxa de crescimento dos gastos públicos, seja mais baixa do que a taxa de crescimento da economia.", respondeu o economista
Neste momento, há grandes expectativas para a divulgação dos nomes de quem vai fazer parte da equipe econômica no quarto mandato de Lula e quais vão ser as medidas propostas para os próximos quatro anos.