
Policiais manipularam suas câmeras corporais e podem ter matado intencionalmente dezenas de pessoas na operação mais letal da história do Brasil — que deixou 122 mortos no Rio de Janeiro há um ano. A denúncia foi feita após uma investigação da organização Human Rights Watch.
O então governador do estado do Rio, Cláudio Castro, descreveu a operação contra o Comando Vermelho, um dos principais grupos criminosos do Brasil, como um ‘êxito’.
Após uma investigação de um ano, a Human Rights Watch concluiu que a operação ‘parece ter sido concebida para ser letal’. A ONG analisou mais de 4.000 horas de gravações de câmeras corporais, as autópsias de todas as vítimas e centenas de vídeos feitos por moradores. Também entrevistou dezenas de testemunhas, familiares e especialistas.
Segundo a investigação, nenhuma das mortes foi registrada pelas câmeras. Apenas um quarto dos 2.500 agentes mobilizados as utilizavam; muitos as cobriram, deixaram as baterias acabarem ou deixaram os equipamentos nos carros. As autópsias apontam na mesma direção.
Mais de quatro em cada 10 das vítimas (que não eram policiais) foram atingidas por tiros na cabeça, e quase três em cada quatro receberam pelo menos um disparo pelas costas. Um homem foi decapitado após ser baleado.
Peritos forenses independentes consultados pela Human Rights Watch avaliaram que muitas pessoas foram assassinadas intencionalmente.
Houve 17 mortos para cada ferido, uma proporção que, segundo a ONG, levanta ‘sérios questionamentos’ sobre se a polícia priorizou a força letal em detrimento das detenções.
A organização pediu às autoridades federais que ‘garantam uma investigação completa e independente’ sobre as decisões que levaram a uma operação tão letal, e que abram processos para apurar responsabilidades. Segundo a Human Rights Watch, as forças de segurança matam mais de 6.000 pessoas por ano No Brasil.