Saúde Piauí
Ceir oferece reabilitação pós-AVC pelo SUS e reforça a importância da prevenção
“Eu sabia que tinha hipertensão, mas só tomava o remédio quando sentia dor de cabeça.” O relato de Adélia Castelo Branco, de 45 anos, mostra como o...
30/10/2026 10h38
Por: Redação Fonte: Secom Piauí

“Eu sabia que tinha hipertensão, mas só tomava o remédio quando sentia dor de cabeça.” O relato de Adélia Castelo Branco, de 45 anos, mostra como o cuidado irregular com a saúde pode esconder riscos importantes. Há um ano, ela acordou com o corpo pesado, os movimentos limitados de um lado e sem conseguir sair da cama. Adélia ficou 20 dias internada depois de sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Hoje, Adélia faz reabilitação física no Centro Integrado de Reabilitação (Ceir), por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Com o acompanhamento da equipe multiprofissional, ela vem recuperando movimentos e autonomia para realizar atividades do dia a dia.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
(Foto: Ascom Ceir)

“Passei muito tempo sem conseguir me locomover. Foi desesperador. Eu tinha uma vida muito corrida, era muito ativa. Então, você se vê dependendo dos outros o tempo inteiro, isso não é fácil. Hoje, já consigo realizar sozinha minhas necessidades básicas e caminhar com o auxílio de uma bengala. Ainda não estou 100%, porque preciso melhorar um pouco o equilíbrio, mas já percebo uma evolução muito grande depois das terapias”, contou.

O AVC, conhecido popularmente como derrame, ocorre quando um vaso sanguíneo que leva sangue ao cérebro é obstruído ou se rompe. Existem dois tipos principais: o isquêmico, causado pelo entupimento de um vaso, e o hemorrágico, provocado pelo rompimento de um vaso e pelo sangramento no cérebro. Em ambos os casos, o atendimento rápido é fundamental para reduzir o risco de complicações.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
(Foto: Ascom Ceir)

Prevenção começa antes do AVC

Segundo o neurocirurgião Benjamim Pessoa Vale, presidente da Associação Reabilitar, o AVC acontece de forma aguda, mas muitos dos fatores que aumentam o risco se desenvolvem ao longo do tempo. Por isso, acompanhar a saúde e tratar doenças crônicas é uma das principais formas de prevenção.

“O AVC é o desfecho de eventos que ocorrem no dia a dia. Existem fatores que não podemos modificar, como a idade. Mas também existem os fatores que podemos controlar. Entre eles estão doenças como diabetes, hipertensão arterial e colesterol alto, além de algumas doenças cardíacas e alterações do sangue, como a anemia falciforme. Não basta cuidar apenas do AVC quando ele acontece. É preciso cuidar também dos fatores de risco que podem levar a ele”, explicou.

Além de manter o acompanhamento de saúde e seguir corretamente os tratamentos prescritos, hábitos como praticar atividade física, ter uma alimentação equilibrada e não fumar ajudam a reduzir riscos. A hipertensão, por exemplo, pode não apresentar sintomas evidentes, mas precisa ser controlada mesmo quando a pessoa se sente bem.

Reconhecer os sinais de alerta também pode fazer a diferença. “Para identificar um AVC, existe o teste SAMU. Peça à pessoa para sorrir. Se a boca ficar torta, é um sinal de alerta. Peça para ela levantar os braços, como se fosse dar um abraço. Se conseguir levantar apenas um deles é outro sinal. Depois, peça para dizer uma frase ou cantar uma música. Se a fala não sair normalmente é mais um alerta. S de sorriso, A de abraço, M de música e U de urgência. Se identificar esses sinais, é preciso procurar atendimento de emergência imediatamente”, destacou o neurocirurgião.

Reabilitação pós-AVC e recomeço

Após a fase aguda, a reabilitação pode ajudar a pessoa a recuperar funções ou adaptar o paciente a uma nova realidade. “O AVC tem prevenção, tem tratamento e reabilitação. Às vezes, você não consegue fazer com que o paciente recupere todas as funções, mas pode ajudá-lo a se reabilitar para viver em sociedade, adaptar-se à sua condição e realizar as atividades do dia a dia”, explicou Benjamim.

No Ceir, o atendimento pelo SUS é realizado por uma equipe multiprofissional, que pode envolver profissionais de áreas como fisiatria, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, educadores físicos e outras especialidades, conforme a avaliação e o plano terapêutico.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
(Foto: Ascom Ceir)

Após sofrer um AVC em 2024, Ivo Cruz, de 38 anos, passou a conviver com alterações na fala, dificuldades para ler e limitações na escrita. Hoje, com o trabalho integrado de diferentes profissionais, Ivo canta e aprende novas habilidades todos os dias.

“Eu sempre digo que perdi muitas habilidades, mas no Ceir descobri novas. Na música, na arte, na escuta, estou começando novos exercícios. Aqui aprendi que o AVC não é o fim, é um recomeço. O trabalho vai além das terapias em si: está na conexão que os terapeutas criam para você se desenvolver”, afirmou.

Foto: Reprodução/Secom Piauí
(Foto: Ascom Ceir0

Para Adélia, a evolução vem da dedicação nas terapias e em casa. “Os terapeutas do Ceir sempre dizem que não adianta fazer as terapias e não continuar em casa. Tenho que me dedicar e a família também tem um papel importante nesse processo. Eu queria muito que todas as pessoas tivessem uma mãe como a minha. Todos os dias, ela me incentiva. Ela está sempre me estimulando a continuar”, pontuou.