Polícia Nacional
Presidente do TCE-MT recebeu R$ 15,4 milhões em créditos bancários e é preso em operação da PF
Investigação aponta suspeitas de folha de pagamento paralela, desvios de recursos públicos e saques milionários em dinheiro vivo. Operação autorizada pelo STJ resultou em 6 prisões e bloqueio de bens de até R$ 145 milhões.
30/10/2026 12h39 Atualizada há 48 minutos
Por: Ronaldo Scarabel Fonte: RBTV
Divulgação/ internet

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Tomada de Contas, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.

Segundo uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o conselheiro recebeu R$ 15,4 milhões em créditos bancários em menos de 10 meses de 2025. No mesmo período, o Portal da Transparência registrava aproximadamente R$ 288,5 mil em pagamentos oficiais.

A diferença entre os valores está entre os pontos investigados pela Polícia Federal, que apura a existência de uma folha de pagamento paralela dentro do tribunal.

Saques milionários e suspeita de desvios

Os investigadores identificaram 150 saques em dinheiro vivo, que somaram aproximadamente R$ 15,6 milhões. Parte das retiradas teria ocorrido em uma agência bancária localizada dentro do próprio Tribunal de Contas.

A investigação também aponta suspeitas de direcionamento de contratos e exigência de devolução de parte dos pagamentos feitos a empresas fornecedoras.

Segundo a Polícia Federal, determinados contratos foram suspensos sob a justificativa de falta de recursos, enquanto pagamentos a outros fornecedores continuaram e chegaram a apresentar aumentos superiores a 300%.

Operação mobilizou mais de 180 policiais

A Operação Tomada de Contas mobilizou mais de 180 policiais federais e cumpriu 6 mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Durante as diligências, foram apreendidos mais de R$ 4 milhões em espécie, além de veículos, relógios e outros bens.

A Justiça também determinou o afastamento de 15 investigados de suas funções e autorizou o bloqueio de bens até o limite aproximado de R$ 145 milhões.

Defesa e investigação

A defesa de Sérgio Ricardo informou que busca acesso integral aos autos e pretende contestar a prisão.

O Tribunal de Contas de Mato Grosso afirmou que cumprirá as determinações judiciais.

As investigações continuam. Os valores identificados nas movimentações bancárias ainda não representam, por si só, comprovação definitiva de desvio ou recebimento de propina. Não há condenação no caso.